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Saúde

Europa aprova nova injeção semestral que previne HIV

Lenacapavir oferece proteção quase total contra o vírus, com eficácia entre 96% e 100%

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O fármaco também foi aprovado nos EUA e será vendido no continente europeu com o nome de Yeytuo | Foto: Reprodução/Shutterstock

Uma nova opção de prevenção contra o HIV, que promete proteção prolongada com apenas duas aplicações anuais, recebeu sinal verde das autoridades europeias. O lenacapavir, desenvolvido pela Gilead Sciences e batizado de Yeytuo no mercado europeu, foi aprovado pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para uso em adultos e adolescentes com peso mínimo de 35 kg.

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A eficácia desse medicamento se aproxima de 100%, segundo dados de estudos clínicos. A aprovação na Europa seguiu-se à liberação do remédio nos Estados Unidos, ocorrida no final de junho. O diferencial do lenacapavir está na facilidade de adesão, já que exige apenas uma aplicação a cada seis meses, ao contrário da PrEP oral diária, disponível desde 2017 e oferecida pelo SUS no Brasil.

A EMA acelerou o processo de avaliação do lenacapavir, com a justificativa de que o medicamento representa uma inovação relevante para a saúde pública tanto na União Europeia quanto globalmente. A Organização Mundial da Saúde também endossou o uso da nova injeção, a qual considera uma importante alternativa enquanto não há vacina aprovada para o HIV.

No cenário atual, o cabotegravir é outro medicamento injetável disponível, administrado a cada dois meses e com custo elevado. O lenacapavir se diferencia por ampliar o intervalo entre as doses para seis meses. No entanto, o preço, estimado em US$ 28 mil por ano nos Estados Unidos, impõe barreiras à ampliação do acesso em larga escala.

Laboratório faz acordos para distribuir injeção contra HIV

Com o objetivo de ampliar a distribuição, a Gilead firmou acordos para produção e comercialização de versões genéricas em 120 países de alta incidência de HIV e recursos limitados. Países como o Brasil, além de outros na América do Sul, na Ásia e na Europa, ficaram fora desses acordos.

Aids
O vírus HIV causa a doença conhecida como aids | Foto: Reprodução/Wikipedia

Os estudos clínicos Purpose-1 e Purpose-2 evidenciaram a elevada eficácia do lenacapavir. No Purpose-1, realizado com 5,3 mil mulheres na África do Sul e em Uganda, nenhuma participante que recebeu o medicamento contraiu HIV em cerca de dois anos, enquanto 55 infecções ocorreram entre as que usaram PrEP oral.

O Purpose-2, com 3,3 mil pessoas de diferentes origens, registrou dois casos de HIV entre usuários do lenacapavir, contra nove no grupo da PrEP oral. As análises apontaram eficácia entre 96% e 100%, confirmando vantagem sobre a PrEP oral.

Apesar do formato injetável, o lenacapavir não é uma vacina. O medicamento não estimula a produção de anticorpos, mas atua ao bloquear a multiplicação do vírus, o que exige a aplicação contínua para garantir a proteção. Até o momento, não há vacinas aprovadas para o HIV em nenhum país.

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