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Remédios para emagrecer barram avanço do câncer, indicam estudos

Pacientes que utilizam medicamentos como Ozempic e Mounjaro registram queda na mortalidade e redução de até 50% no espalhamento de tumores

Embalagem do medicamento Ozempic, uma das 'canetas emagrecedoras' | Foto: Reprodução/Shutterstock
Embalagem do medicamento Ozempic, uma das 'canetas emagrecedoras' | Foto: Reprodução/Shutterstock

Os remédios voltados para perda de peso e controle da diabetes provocam um efeito colateral inesperado no tratamento de tumores. Pacientes que utilizam medicamentos da classe dos GLP-1, como Ozempic, Mounjaro e Zepbound, apresentam maior taxa de sobrevivência e redução drástica na velocidade de espalhamento do câncer pelo corpo. O dado consta em um conjunto de quatro novas pesquisas científicas nos Estados Unidos.

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Segundo o jornal The Wall Street Journal, a consistência dos resultados gerou otimismo na comunidade médica internacional. Um dos levantamentos, conduzido pelo Cleveland Clinic Cancer Institute, monitorou mais de 10 mil pacientes com câncer em estágio inicial. Os pesquisadores compararam pessoas que usavam os remédios injetáveis com doentes que seguiam tratamentos convencionais para diabetes. O grupo do GLP-1 registrou uma resistência muito maior ao avanço da doença.

Casos de câncer pulmonar caem pela metade

A taxa de evolução para quadros graves em pacientes com câncer de pulmão caiu pela metade com o uso dos emagrecedores. O avanço da doença atingiu apenas 10% dos usuários dessas substâncias, contra 22% do grupo de comparação. O câncer de mama repetiu o mesmo patamar de recuo, registrando 10% de piora nos pacientes tratados com GLP-1 em comparação com 20% nos demais indivíduos.

Os tumores colorretal e de fígado também apresentaram diminuições significativas na progressão. Em outra frente de análise, a University of Texas MD Anderson Cancer Center avaliou 137 mil mulheres com câncer de mama. O relatório revelou que 95% das usuárias das injeções continuavam vivas depois de cinco anos do diagnóstico, contra 89,5% das pacientes que não utilizavam as ampolas.

Bloqueio direto nas células tumorais

Os cientistas trabalham com duas linhas de investigação para decifrar como os remédios produzidos pelas farmacêuticas Novo Nordisk e Eli Lilly agem contra o câncer. A primeira tese revela que a perda de peso e a melhora geral do metabolismo reduzem de forma indireta os fatores inflamatórios que alimentam a doença.

A segunda hipótese aponta uma ação médica direta. Os receptores do hormônio GLP-1 aparecem na superfície de várias células tumorais. Os compostos químicos dos emagrecedores podem atuar diretamente na biologia do câncer, interrompendo a multiplicação das células doentes. Uma pesquisa complementar da University of Pennsylvania com 95 mil mulheres revelou que o remédio diminuiu em 25% o risco de aparecimento do câncer de mama.

Testes controlados para carimbar eficácia

Os médicos ressaltam que as conclusões atuais mostram uma associação positiva, e não uma relação de causa direta. Os relatórios se basearam na revisão retrospectiva de bancos de dados de planos de saúde. Pessoas que recebem prescrição para esses medicamentos de alto custo costumam ter maior poder aquisitivo e melhor acesso a exames de rotina, vantagens que interferem no sucesso do tratamento contra o câncer.

O estabelecimento definitivo do novo benefício médico depende da realização de testes clínicos controlados com distribuição aleatória de pacientes. Até o momento, as fabricantes dos remédios não iniciaram pesquisas focadas no tratamento oncológico. O avanço das descobertas abre uma nova fronteira para o mercado farmacêutico mundial, que já utiliza o princípio ativo contra infartos, derrames e apneia do sono.

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