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Agronegócio

El Niño ameaça a safra 2026/27

Possíveis atrasos no plantio e gargalos logísticos reforçam a necessidade de planejamento diante da instabilidade climática

Apesar das incertezas, o setor chega mais preparado do que em episódios anteriores de El Niño | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial
Apesar das incertezas, o setor chega mais preparado do que em episódios anteriores de El Niño | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial

O possível retorno do fenômeno El Niño voltou a preocupar o agronegócio brasileiro às vésperas da safra 2026/27. As previsões sugerem que a irregularidade das chuvas pode afetar o calendário de plantio, reduzir a janela ideal para o milho de segunda safra e pressionar a rentabilidade dos produtores.

O cenário já começa a ser refletido no mercado. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o plantio do milho poderá sofrer atrasos caso as chuvas demorem a se regularizar. Ao mesmo tempo, o preço dos produtos segue pressionado pela ampla oferta da segunda safra e pela cautela dos compradores.

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As previsões climáticas sugerem que as primeiras chuvas devem ocorrer entre agosto e outubro. Mesmo assim, especialistas acreditam que a regularidade necessária para o plantio pode demorar a se estabelecer.

Se a soja, cultivada na primeira safra, precisar ser replantada ou tiver o desenvolvimento atrasado, toda a programação da propriedade rural pode ser afetada. Isso porque, no Brasil, é comum que o agricultor utilize a mesma área para plantar milho de segunda safra logo depois da colheita da soja. Quanto mais tarde esse milho for semeado, maior será a probabilidade de enfrentar falta de chuva durante o desenvolvimento, o que tende a reduzir a produtividade e aumentar os prejuízos.

Brasil aprendeu a lidar com o El Niño

Apesar das incertezas, o setor chega mais preparado do que em episódios anteriores de El Niño. O avanço da tecnologia, da genética e das ferramentas de gestão ampliou a capacidade de adaptação das propriedades rurais e das empresas ligadas ao agronegócio.

Para André Paranhos, vice-presidente da unidade de Agronegócio da consultoria Falconi, a capacidade de planejamento tende a fazer diferença em um ambiente de maior volatilidade. “As mudanças climáticas tornam o ambiente mais incerto, o que exige uma gestão cada vez mais estruturada”, afirma. “Pensar estrategicamente na condução das ações e adotar uma gestão eficiente são fatores essenciais para enfrentar esses desafios e fortalecer a resiliência das operações.”

Na avaliação do executivo, a resposta aos efeitos do clima não deve se limitar às decisões tomadas dentro da porteira. O planejamento precisa considerar toda a operação, desde a estratégia comercial até o controle de custos, a eficiência dos processos e os mecanismos de proteção de preços.

“Agricultores que não adotarem estratégias como proteção de preços, eficiência nos processos e gestão eficiente de custos e despesas enfrentarão dificuldades financeiras”, observa Paranhos. “Decisões antecipadas e uma visão integrada da operação ajudam a preservar margens mesmo em um ambiente de maior volatilidade.”

A logística também preocupa o setor. Um período mais seco na Região Norte pode reduzir a navegabilidade dos rios utilizados para o transporte de grãos, o que elevaria os custos de frete e aumentaria a pressão sobre a cadeia de abastecimento.

Na avaliação da Falconi, empresas que conseguirem integrar planejamento, eficiência operacional e gestão de riscos terão melhores condições de enfrentar um ciclo marcado por maior instabilidade climática e de mercado. “Planejar estrategicamente a condução das ações é peça-chave para que as empresas enfrentem de forma eficiente os desafios e assegurem a resiliência do segmento”, conclui Paranhos.

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