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Agronegócio

Rei saudita vira 'barão' em um império brasileiro

Com a coroa de CEO, empresário domina negócio estratégico para a realeza saudita

Salman bin Abdulaziz Al Saud, rei da Arábia Saudita | Foto: Reprodução Kremlin

Em um mundo com 8 bilhões de habitantes, poucos ainda são monarcas — reis, rainhas e afins. O grupo fica ainda mais seleto quando o recorte inclui governantes absolutos, praticamente donos de seus países. O saudita Salman bin Abdulaziz Al Saud é um desses raríssimos casos de reinado ilimitado. Mas, mesmo com todo esse poder, o árabe se tornou um “barão” dentro do império de Marcos Molina — um gigante do agro brasileiro.

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Molina fundou a Marfrig 25 anos atrás. Sob seu controle até hoje, a empresa se transformou em uma rede de frigoríficos com alcance global. Entre outros títulos, ostenta o de maior fabricante de hambúrgueres no mundo. Em 2022, o empresário assumiu o controle da BRF — e é nesse ponto da história que o rei saudita se torna o mais ilustre barão nos domínios do empresário.

O empresário Marcos Molina fundou a Marfrig | Foto: Reprodução/BRF

O reino saudita possui ações da BRF por meio de um fundo soberano para fazer investimentos estratégicos. Os recursos são do Estado, mas o monarca é literalmente o dono do país. No fim das contas, o dinheiro é dele.

Cerca de 11% das ações da BRF pertencem ao fundo real — é a segunda maior participação no negócio. A Marfrig de Molina, porém, é absoluta no controle pois domina mais de 50% das ações. Assim, nesse império, o brasileiro é o soberano — ainda que a coroa seja de CEO.

Império brasileiro em expansão

Com a ascensão de Molina à direção da BRF, Sadia e Perdigão, as duas maiores máquinas de dinheiro da companhia, ampliaram o mix com produtos da Marfrig. Famosas pela ampla participação no mercado de aves e suínos, essas marcas passaram a vender picanha e outros cortes. A carne bovina com os selos de Sadia e Perdigão vem da rede de frigoríficos que o CEO construiu.

Os novos cortes entraram nos freezers dos supermercados e açougues na segunda metade de 2023. Entretanto, a operação era somente um ensaio de algo maior: a integração de Marfrig e BRF em uma única empresa, medida anunciada na última quinta-feira, 15. O novo negócio nasce com caixa para saltar aos olhos até dos donos das maiores carteiras, incluindo o sócio saudita, cujo interesse no império do empresário brasileiro ultrapassa o lucro. É uma questão de sobrevivência dos súditos e, por consequência, do reino.

Números reais

A Marfrig faturou R$ 144 bilhões em 2024. O caixa veio majoritariamente das operações em dois países: Estados Unidos (42%) e Brasil (23%). A carne vendida é majoritariamente bovina.

Ao mesmo tempo, a BRF faturou R$ 61,4 bilhões. Quase metade veio das operações para o mercado externo — e grande parte da receita de sucesso vem dos clientes do Oriente Médio, onde está o reino de Salman.

As marcas da BRF detêm quase 40% do mercado em que atuam no Oriente Médio. O sucesso local se deve principalmente à produção de carne de frango. A esmagadora maioria da população da região é muçulmana.

Certos animais não podem ser consumidos. A carne de frango é uma das permitidas, mas o abate tem de ser feito de acordo com alguns preceitos religiosos islâmicos. A BRF se tornou especialista em atender essas especificidades e, por isso, se tornou uma das principais fontes de alimento para os súditos da região. Desse modo, o negócio tornou-se vital para o país e lucrativo para o rei — dois ótimos motivos para o monarca investir, ainda que sem a soberania do negócio.

A posição e os contatos no reino saudita são uma oportunidade de expansão. Os muçulmanos também consomem carne bovina, mas só de fornecedores dignos de fé — o que, neste caso, vale mais que ouro ou petróleo.

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