‘A internet provocou um ódio profundo das pessoas por elas mesmas’

Em entrevista a Oeste, o teólogo e escritor Tiago Brunet fala sobre o universo de ataques e assédios dos haters nas redes sociais
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O teólogo e escritor Tiago Brunet | Foto: Divulgação
O teólogo e escritor Tiago Brunet | Foto: Divulgação

As redes sociais se tornaram verdadeiras fábricas de ódio. Atrás das telas, as pessoas se sentem mais corajosas para expressar o sentimento que, apesar de fazer parte da natureza humana, parece ter se banalizado. Em entrevista a Oeste, o teólogo Tiago Brunet fala sobre o comportamento dos chamados haters — usuários que interagem nas redes para atacar os outros com xingamentos e até ameaças de morte. “As pessoas estão com ódio, mas não é do personagem que está sendo atacado, é da vida delas.”

Autor de oito livros, entre eles Especialista em Pessoas, Brunet reúne mais de 6 milhões de seguidores em suas redes, que acompanham suas lives e publicações sobre temas bíblicos e ensinamentos de vida. O teólogo é também criador do Instituto Destiny, uma instituição de ensino voltada para o desenvolvimento da inteligência e a formação de líderes. Brunet falou ainda sobre os efeitos da pandemia na saúde mental das pessoas. A seguir, os principais trechos.

1 — Por que o sentimento de ódio é tão presente nas redes sociais?

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Todo mundo tem uma dose de covardia. E essa dose é cruelmente aumentada quando você está atrás de uma tela. Atacar as pessoas é um prazer imediato, e o ser humano está atrás de prazer imediato. A pessoa se sente superior, se sente um juiz. Ela não tem condições de julgar nada sobre a própria vida, mas, no momento em que ela ataca alguém, isso lhe dá poder. Apesar de ser um prazer mentiroso, curtíssimo, e possivelmente algo que a pessoa jamais faria pessoalmente. Arrisco a dizer que 5% dos haters são verdadeiros — o que eles são na internet eles seriam na rua. Os outros 95% são só frustração emocional. Ou seja, a pessoa não odeia ninguém. Ela odeia a si própria e ataca os outros para se sentir melhor.

2 — Sempre foi assim ou a internet potencializou o ódio?

A internet provocou um ódio profundo das pessoas por elas mesmas. Porque ela vê o outro mais magro que ela, vê o outro comprando carro e ela não. As pessoas estão com ódio, mas não é do personagem que está sendo atacado, é da vida delas. É inconsciente, mas vamos ficando com raiva da gente. Quando alguém é atacado nas redes, surge a oportunidade de colocar tudo isso para fora. A pessoa ataca, mas na verdade está se machucando. Por que vou atacar uma pessoa que nunca vi na vida? Como vou julgar o erro de alguém cuja história não conheço?

3 — A pandemia de covid-19 deixou as pessoas mais doentes emocionalmente?

A pandemia colocou para fora as angústias humanas. O que aconteceu é que algumas  pessoas já estavam doentes, mas a rotina disfarça. Quando a pessoa vai trabalhar, ela disfarça a tristeza, o ódio, a insatisfação com a vida. A pandemia interrompeu a rotina e começou a expor as verdadeiras mazelas emocionais de cada um. Nesse período de pandemia, nunca tantos executivos bem-sucedidos, jogadores de futebol, artistas me procuraram pedindo ajuda na área espiritual. Eles começaram a perceber que tinham de ficar trancados igualzinho a quem não tem dinheiro, igualzinho a quem não tem seguidor em rede social. Ou seja, tem coisas que valem para todas as pessoas e, para alguns, essa é uma sensação de perda de poder, de falta de sentido na vida. O seu coração tem um vazio do tamanho do seu propósito. Quando você descobre seu propósito de vida, esse vazio desaparece. Muita gente estava sem propósito. 

4 — Você é um influenciador digital com mais de 6 milhões de seguidores. Você se sente pressionado a se manifestar sobre todos os assuntos nas redes?

Sou pressionado para me posicionar politicamente. Na cabeça de quem me segue, se eu não me posiciono, estou atrapalhando. O dia que um movimento bater de frente com algum dos meus propósitos de vida, vou me posicionar. Mas não vejo motivo para me desgastar por algo que nem sequer está no meu caminho. A falta de posicionamento nem sempre é covardia, às vezes é estratégia.

5 — A política de cancelamento na internet pode trazer consequências psicológicas, perda do emprego, da renda e dos relacionamentos. Como se blindar de ataques virtuais?

Quantos dias dura um cancelamento? O pior dos piores dura uns 15 dias. Depois disso, ninguém lembra. Temos um presidente que ficou anos na TV como bandido e hoje é candidato. As pessoas esquecem. Todo o alarde acaba rápido. Muita gente chegou a tirar a própria vida porque não aguentou superar essa fase. Para atravessar esse período, a primeira coisa é ter fé, mas isso é para quem acredita. Segundo, você precisa escutar e estar cercado de pessoas que você ama. E precisa parar de usar a internet por um tempo. Os nossos sentimentos negativos são alimentados pelo que a gente vê e escuta. Deixe o celular desligado.

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10 comentários Ver comentários

  1. Teólogo?
    Animador de púlpito que prega um evangelho positivista.
    Seus seguidores tem o mesmo espírito daqueles que gritaram soltem Barrabás.

  2. Esse papinho de psicanálise de fundo-de-quintal já cansou.
    Eu sei muito bem quem odeio: todos criminosos/as e ladrões/ladras cruéis expostos/as ou dissimulados/as de todos gêneros que permanecem impunes e quem permite -e colabora, protegendo-os/as- para que assim se mantenham ‘ad aeternum”.
    Tenho plena consciência de não odeio a mim mesmo, não, tá?

    1. Concordo totalmente. Faltou adicionar à lista que o ódio é dirigido à toda esquerdalha maldita, á pocilga (“stf”) e à maioria dos integrantes do Ninho de Ratos..

  3. O ódio disseminado vem da ignorância e da arrogância onde uns esquecem que o seu direito é exatamente igual ao do outro agravado pela manipulação de influenciadorrs a seguidores idiotizados … a cura para isto é educação e boa informação.

  4. Certamente esse teólogo acha que todos são uns incapazes de compreender todas as coisas do mundo, então esse negócio de desligar o celular e deixar de ver as redes sociais, não tem a menor lógica para quem tem personalidade firme, seja para o bem ou para o mal, tanto faz. O que as redes sociais expôs, e isso é verdade, é que a população de imbecis é muito grande, alguns aqui até podem me achar um deles, da mesma forma que eu também acho de outrem. Parole, parole, parole…

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