A ‘queima das liberdades’ e a imprensa que entrega sua alma

'Por qual razão lógica um órgão de imprensa precisaria recorrer a um serviço externo, ainda que associado a ele de alguma forma, para não publicar mentiras?', indaga J. R. Guzzo
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'A imprensa brasileira deveria mandar para o diabo as agências que, segundo a descrição que fazem de si mesmas, têm a finalidade de verificar se as notícias são falsas'
'A imprensa brasileira deveria mandar para o diabo as agências que, segundo a descrição que fazem de si mesmas, têm a finalidade de verificar se as notícias são falsas' | Foto: Reprodução

Em artigo publicado na Edição 55 da Revista Oeste, J. R. Guzzo constata que a imprensa brasileira está entregando sua alma a agências que atribuem a si próprias a missão de verificar se as notícias publicadas pelos jornalistas são falsas.

Na verdade, grande parte dos veículos jornalísticos do país acaba, voluntariamente ou não, colaborando com o totalitarismo. O que está em curso, lamentavelmente, é uma verdadeira “queima das liberdades”.

Leia um trecho:

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“Por uma questão no mínimo de amor-próprio, se não for por nenhum outro motivo, a imprensa brasileira deveria mandar para o diabo as agências que, segundo a descrição que fazem de si mesmas, têm a finalidade de verificar se as notícias são falsas — fake, como se diz hoje — ou verdadeiras. Por qual razão lógica, quando se pensa cinco minutos no assunto, um órgão de imprensa precisaria recorrer a um serviço externo, ainda que associado a ele de alguma forma, para não publicar mentiras — um trabalho que ele próprio tem a obrigação óbvia de fazer? Um jornal, uma emissora de tevê ou uma estação de rádio têm de garantir ao seu público a correção das notícias que publicam. Um fabricante de margarina garante na embalagem a qualidade do seu produto; faz isso por conta e responsabilidade próprias, e não pede a ninguém que dê a garantia em seu lugar. Por que a mídia acha que não precisa fazer a mesma coisa?

Veículos de imprensa que respeitam a si mesmos sempre cuidaram de apurar por sua própria conta, sem a ajuda e sem a autorização de ninguém, tudo aquilo que publicam em suas páginas ou emissões. Até algum tempo atrás, empregavam nesse trabalho os seus próprios recursos financeiros, as suas energias e o talento dos seus profissionais. Quem “certificava” que uma notícia era correta, e não falsa, era o veículo que a publicava, pois isso fazia parte dos seus deveres essenciais junto aos leitores, telespectadores e ouvintes. Um dos pontos de honra mais elementares para um jornal, tevê ou rádio era, justamente, a sua própria palavra: ‘Pode acreditar no que você lê, vê ou ouve aqui’, dizia a mídia, ‘porque nós temos um nome a defender e garantimos que tudo o que é impresso ou vai ao ar corresponde exatamente aos fatos. Se for falso, não sai; se estiver circulando por aí, e for mentira, nós vamos dizer que é mentira.’ Nós — e não uma agência criada meia hora atrás, sem sócios responsáveis, sem história, sem público, sem deveres legais e sem nenhuma responsabilidade quanto à reputação de quem trabalha numa redação.”

Revista Oeste

Além do artigo de J. R. Guzzo, a Edição 55 da Revista Oeste traz reportagens especiais e textos de Ana Brambilla, Augusto Nunes, Guilherme Fiuza, Ana Paula Henkel, Dagomir Marquezi, Ubiratan Jorge Iorio, Silvio Navarro, Rodrigo Constantino e o estreante Evaristo de Miranda.

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