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Atlas da Violência: Brasil registra 42,5 mil homicídios em 2024

País atinge o menor patamar de assassinatos em 11 anos, mas pesquisadores alertam para apagão de dados

O Estado de São Paulo ostenta o ambiente mais seguro da federação, com uma taxa de 6,6 homicídios por 100 mil cidadãos | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
O Estado de São Paulo ostenta o ambiente mais seguro da federação, com uma taxa de 6,6 homicídios por 100 mil cidadãos | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Brasil registrou 42.590 homicídios no ano de 2024, o que representa uma taxa de 20,1 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. Os dados constam na nova edição do Atlas da Violência, estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgado nesta terça-feira, 26. O resultado oficial consolida uma redução de 6,9% no número absoluto de assassinatos em comparação com o ano anterior.

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O patamar atingido é o menor da série histórica dos últimos 11 anos. A queda foi impulsionada por melhorias na gestão de segurança nos Estados, acordos de trégua entre facções criminosas e o envelhecimento da população, já que os jovens continuam sendo os alvos principais da criminalidade letal.

Alerta para milhares de assassinatos ocultos

Os pesquisadores do Ipea ressaltam, porém, que o número de 42,5 mil mortes deve ser analisado com extrema cautela devido ao avanço das “mortes violentas por causa indeterminada”. Trata-se de homicídios ocultos provocados por laudos mal preenchidos, sumiço de cadáveres ou falhas no repasse de informações entre as delegacias de polícia e o sistema de saúde.

Esses casos sem identificação de autoria ou motivo explícito dispararam 88,6% no país, passando de 3.755 para 7.083 ocorrências. Com o uso de inteligência computacional para recalcular os dados camuflados, os técnicos estimam que o volume real de assassinatos no Brasil passe de 49,6 mil casos, o que anularia quase toda a queda comemorada pelos governantes.

Norte e Nordeste lideram o ranking de violência

A retração da violência não ocorreu de forma homogênea, e o crime segue concentrado em províncias específicas. O Amapá lidera a lista de letalidade nacional, com uma taxa de 45,7 mortes por 100 mil moradores. A Bahia aparece logo atrás, com 40,9; seguida por Pernambuco, com 37,3; Alagoas, com 35,9; e o Ceará, com 34,3.

No recorte de variação anual, apenas o Maranhão e o Ceará apresentaram aumento real de criminalidade, com altas de 7,6% e 5,2% nos inquéritos, respectivamente. O Amapá, por sua vez, conseguiu a maior redução porcentual de 12 meses, derrubando o seu indicador em 30% em relação ao período anterior.

São Paulo preserva a menor taxa do país

O Estado de São Paulo ostenta o ambiente mais seguro da Federação, com uma taxa de 6,6 homicídios por 100 mil cidadãos. Santa Catarina ocupa a segunda posição do indicador, com 8,1, seguida de perto pelo Distrito Federal, com 10,3. Minas Gerais, com 12,8, e o Rio Grande do Sul, com 15,2, completam o grupo com os melhores resultados institucionais.

O coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, disse que o combate ao crime organizado exige a integração de ações policiais de repressão rápida nas ruas, com investimentos pesados em prevenção social. Para o especialista, o governo precisa usar a ciência para mapear as manchas de criminalidade e evitar o avanço do apagão de dados nos institutos de perícia.

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