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Áudios revelam brutalidade do PCC e Novo Cangaço: ‘Arrancamos o coração dele'

Investigação expõe crueldade do crime organizado, em ações por vingança e pelo controle do tráfico de drogas

Rebelião do PCC
Rebelião promovida pelo PCC | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Durante investigações sobre o PCC e seus métodos, conhecidos como “Novo Cangaço”, a Polícia Federal e a Promotoria de São Paulo tiveram acesso a áudios de WhatsApp que revelam a brutalidade nas ações da facção.

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“Aí, irmão, arrancamos o coração e o fígado dele, tá ligado, cortamos ele todinho, pedacinho por pedacinho”, disse um dos integrantes. “Daquele jeito, daquele modelo que esses lixos aí merece.”

A Operação Baal seguiu essas pistas e encontrou rastros de violência nos Estados de Mato Grosso, de São Paulo e do Piauí, resultados de uma guerra interna por vingança e pelo controle de pontos de tráfico. Decapitações e a retirada de órgãos vitais, como fígado e coração, são comuns, segundo as investigações.

A operação foi deflagrada em maio, com 18 suspeitos denunciados por tráfico, assassinatos e lavagem de dinheiro.

Detalhes das investigações

As investigações começaram com uma operação anterior da PF que apurou o desvio de recursos federais destinados ao combate à covid-19 | Foto: Reprodução/Agência Brasil
A Polícia prendeu um dos chefes da facção, o “Pantera”, em maio, por posse ilegal de arma | Foto: Reprodução/Agência Brasil

Os autos do processo incluem mensagens e fotos de órgãos humanos, exibidos como troféus. Como prova de execuções, assassinos enviavam imagens de cabeças fora de seus corpos. Pelo aplicativo, eles também discutiam crimes brutais.

“Derruba tudo manda pra fossa”, “vou meter a rajada dentro do carro”, “vou matar mais amanhã”, são algumas das mensagens interceptadas pelos investigadores.

Leia também: “Fora da lei”, reportagem de Cristyan Costa publicada na Edição 233 da Revista Oeste

A operação culminou na morte de 18 integrantes do PCC em Confresa, Mato Grosso. A investigação também alcançou lideranças em Avelino Lopes (PI) e São Paulo. Ainda revelou que os assassinatos estavam ligados à execução de um líder do Novo Cangaço e à disputa por pontos de drogas.

Um dos chefes da facção, conhecido como “Pantera”, foi preso em maio em Itapeva (SP) por posse ilegal de arma.

PCC: conflitos internos e vinganças

Integrantes enviam fotos de pessoas assassinadas e órgãos | Foto: Processo judicial
Foto que circula nos grupos do PCC | Foto: Processo judicial

Pantera assumiu a liderança depois da morte de seu irmão “Fleques”, em dezembro de 2023. Fleques, também do PCC, foi executado em uma barbearia em Osasco (SP). Em retaliação, Pantera iniciou uma série de vinganças, conforme indicado em mensagens e vídeos.

Um diálogo que a polícia interceptou revela que ele planejava eliminar rivais, com fotos de um coração humano nas mãos do assassino. Vanderson, intermediador de munições e acessórios de armas, vendeu um colete à prova de balas a Pantera.

Venda de colete à prova de balas
Venda de colete à prova de balas | Foto: Processo judicial
Conversa interna do PCC
Conversa interna do PCC | Foto: Processo judicial
Diálogo entre integrantes do PCC
Diálogo entre integrantes do PCC | Foto: Processo judicial

Em uma mensagem, ele disse que Fleques usava um colete similar e “só não morreu” por causa da proteção. Em fevereiro, Pantera enviou áudios e fotos sobre um homicídio que teria sido encomendado.

Vanderson incentivou o parceiro. “Derruba tudo, manda pra fossa”, escreveu. “Poderia falar algo bonito pra você mas nessa situação aí tem que ripar mesmo.”

Ações do PCC em Osasco

Carro e bar
Ações do PCC | Foto: Processo judicial

O Bar do Negão, em Osasco, alvo da operação. O local estava sob suspeita de ser ponto de encontro para negociações ilícitas. O dono fugiu, mas quatro dias depois, um funcionário foi executado.

A PF suspeita de queima de arquivo, pois o local era usado como bunker de armas e drogas. O bar era um ponto de apoio para o Novo Cangaço e facilitava encontros entre comparsas para tratativas ilícitas.

Pantera compartilhou seus planos de vingança com Elaine — a ‘Patroa’ do PCC, presa na etapa mais recente da Operação Baal. No mesmo dia, ela assumiria o cargo de estagiária de Direito na Promotoria de Itapeva, a 290 quilômetros da capital paulista.

A 'Patroa' do PCC
A ‘Patroa’ do PCC, com fuzil na mão | Foto: Processo judicial

Em dezembro, 2023, ele enviou uma foto com homens armados, indicando um alvo. Em outra mensagem, confessou ter matado dois homens envolvidos na morte de seu irmão. Há registrou de um áudio de Pantera, de abril, em que chorou e disse que não entendia os motivos de ele próprio continuar com as ações.

“Faz quatro meses e um dia que meu irmão morreu. [choro] Na verdade, eu nem consegui mais matar ninguém. Eu não consegui mais matar ninguém, cara”, afirmou. “Eu não consigo fazer nada mais. Na verdade, eu não sei o que tá acontecendo comigo mais. Tenho que sair daqui”.

Investigação inicial e confrontos

A investigação começou com a tentativa de roubo de um blindado da Brinks, em Confresa, em abril de 2023. Ao todo, 18 faccionados morreram em confrontos com a Polícia Militar.

Entre os mortos, estava ‘Magrelo’, que teria planejado a ação. O PCC investiu cerca de R$ 3,4 milhões no ataque, mas teve prejuízo. Dias depois, Pantera demonstrou preocupação com o paradeiro do irmão.

Leia também: “O inferno dos inocentes”, reportagem de Cristyan Costa publicada na Edição 231 da Revista Oeste

A PF também encontrou indícios do envolvimento de ‘Kaçador’, preso por assassinato de dois desafetos em retaliação à execução de Fleques. Em outra conversa, Fleques ordenou a seus homens que ateassem fogo em um imóvel em Curimatá (PI), depois de não encontrar os alvos.

O inquérito indica que Fleques participou de ações do Novo Cangaço em Criciúma (SC), em 2020, e Guarapuava (PR).

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