Há cerca de duas décadas, Lincoln Gakiya, promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo, convive sob ameaça de morte imposta pelo grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC).
Sob escolta policial permanente há dez anos, ele figura entre os principais alvos da facção criminosa. Isso ocorreu depois de ele liderar ações que dificultaram a atuação do grupo dentro e fora dos presídios.
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Integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Gakiya foi um dos responsáveis pelo pedido de transferência de líderes do PCC para presídios federais de segurança máxima. Em fevereiro de 2019, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, foi transferido junto de outros 21 membros, depois que o Ministério Público descobriu um plano de resgate na penitenciária 2 de Presidente Venceslau (SP).
A partir dessas operações, cartas interceptadas nos presídios revelaram novos planos de retaliação contra autoridades públicas, incluindo o próprio promotor. Nas redes sociais, Gakiya soma quase 20 mil seguidores e costuma compartilhar entrevistas. Um ano atrás, ele declarou à CNN Brasil que “o PCC está pronto para funcionar sem ordens diretas dos líderes” e “age na prática como organização terrorista”.

Na manhã desta sexta-feira, 24, uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil foi deflagrada para impedir ataques planejados pelo PCC a autoridades do Estado. Lincoln Gakiya e o coordenador de presídios Roberto Medina estavam entre os principais alvos da ação criminosa.
Detalhes da operação e plano do grupo contra Gakiya
No total, agentes cumpriram 25 mandados de busca e apreensão em cidades do interior de São Paulo. Entre elas, Presidente Prudente, Álvares Machado, Martinópolis, Pirapozinho, Presidente Venceslau, Presidente Bernardes e Santo Anastácio. O grupo investigado mantinha um esquema disciplinado para monitorar rotinas de autoridades e familiares, a fim de preparar atentados.
Segundo relatos do Ministério Público, a célula criminosa atribuía funções específicas a cada participante. Assim, cada um não conhecia o plano completo, de modo a dificultar a identificação do esquema. As autoridades conseguiram identificar os envolvidos durante a fase de vigilância e apreenderam equipamentos, que serão periciados para identificar os responsáveis pela execução.
Leia também: “A multinacional do crime organizado”, reportagem de Edilson Salgueiro publicada na Edição 290 da Revista Oeste
A Operação Recon busca reunir provas para avançar nas investigações e mapear a cadeia de comando do PCC. Ela contou com apoio das Polícias Militar e Penal. O objetivo é identificar outros participantes do plano e ampliar o combate à atuação da facção no Estado.
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