Cristo Redentor: a saga da construção do monumento

Oeste conta a história da obra, que é considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno
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O Cristo Redentor completa 90 anos nesta terça-feira, 12
O Cristo Redentor completa 90 anos nesta terça-feira, 12 | Foto: Rudy Trindade/FramePhoto/Estadão Conteúdo

O Cristo Redentor completa 90 anos nesta terça-feira, 12. Com mais de 38 metros de altura, o monumento fica no topo do Corcovado, no Rio de Janeiro, de maneira que possa ser visto por toda a cidade.

A estátua, construída de concreto armado, baseia-se no estilo artístico e arquitetônico denominado art déco, oriundo da Europa nos anos 1910. Esse estilo ganhou notoriedade em 1925, em Paris, quando suas obras foram vistas em exposições internacionais. As Artes Decorativas, como também são chamadas, influenciaram a pintura, o cinema e a moda. Sua presença, contudo, é mais constante na arquitetura.

Animais e mulheres são temas comuns nesse estilo artístico. A art déco notabilizou-se por linhas retas e circulares estilizadas. Marfim, jade e laca compõem o material das obras. O uso de formas geométricas, com designs abstratos, é traço característico desse estilo. A luxuosidade é indispensável.

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O Cristo da Bola

O engenheiro Heitor da Silva Costa foi quem concebeu a ideia de erguer um monumento no Corcovado. Sua obra, diferente do Redentor, era uma imagem de Jesus segurando um globo terrestre numa mão e uma pequena cruz na outra. Com esse projeto, o brasileiro venceu um concurso nacional, realizado em 1921, que definiu a estátua que seria construída na cidade do Rio de Janeiro.

Naquela época, os cariocas já eram apaixonados por futebol. Ao observarem a imagem de um gigante de concreto segurando um objeto esférico nas mãos, decidiram logo chamar-lhe de Cristo da Bola. Sob críticas da Igreja e de acadêmicos, Silva Costa abandonou o projeto. O novo Redentor, de braços abertos, começaria a ganhar forma.

Foto: Reprodução/Alesp

Início em Paris, na França

O pintor Carlos Oswald desenhou a ideia do novo monumento, e Silva Costa escolheu em Paris o escultor Maximilian Paul Landowski, um expoente em art déco, para a elaboração da obra definitiva.

Landowski jamais pisou no Rio de Janeiro, nem mesmo durante a construção da estátua. Por isso, Silva Costa pediu que o escultor francês fizesse uma miniatura de gesso de 4 metros de altura.

A obra foi desenhada em quadrículas, uma técnica que consiste em desenhos em escala que, ampliados, guardam os detalhes do projeto original. Nesse caso, preservaria a ideia inicial do Redentor, com quase 40 metros de altura.

A pequena obra seria transportada para o território brasileiro de navio.

Quadrículas

Para garantirem que a miniatura estivesse harmonicamente simétrica, Landowski e Silva Costa recorreram ao engenheiro francês Albert Caquot, que fez os cálculos estruturais.

Primeiramente, os parisienses cobriram a miniatura de gesso com arames, como se fosse para amarrá-la, dos pés aos braços, chegando aos punhos. Depois, os arames foram retirados, não sem deixar os contornos na pequena estátua. Essas marcas foram transpostas para folhas de papel quadriculadas.

A técnica segue a mesma lógica de produção de um molde de plástico em 3-D, em que as impressoras tridimensionais depositam os filamentos de baixo para cima, plano após plano. Igualmente, Landowski e Caquot mandaram essas instruções em um roteiro constituído de dezenas de desenhos empilháveis.

Os moldes

Por serem mais detalhadas, as mãos e a cabeça do monumento tiveram de ser feitas em tamanho real, usando gesso. Cada uma das partes tinha 4 metros, de modo que Landowski precisou seccioná-las e enviá-las em cerca de 50 caixas. Para facilitar o processo de montagem da estátua, um manual também foi enviado ao Brasil pelo escultor.

O concreto da obra original não foi despejado em cima do molde. Cada uma das partes da cabeça e das mãos foi imersa numa espécie de piscina de argamassa rala. Quando a mistura secava, o gesso quebrava, restando apenas o molde de fusão da peça, preservando seu formato.

Com o auxílio de uma grade, os engenheiros despejaram um concreto mais forte sobre esse molde. Depois de secar, quebraram a argamassa rala. A parte definitiva estava pronta e seria encaixada na obra original.

Foto: Reprodução/Alesp

Cristo Redentor

A estátua está fincada no alto do Corcovado sob quatro vigas. O bloco vertical de concreto armado que dá forma ao corpo de Jesus é semelhante ao de um prédio. No caso do Redentor, é o equivalente a 13 andares. A túnica do monumento foi instalada por meio de mantas metálicas, seguindo exatamente as marcas deixadas pelos arames.

Foto: Reprodução/Alesp

Os braços do Redentor foram construídos “em balanço”, termo específico da engenharia que designa a parte que se projeta para além da fachada de uma construção, sem estrutura de sustentação aparente. As marquises são exemplos dessas estruturas em balanço.

A estátua é revestida de pequenos mosaicos formados de pedra-sabão, um material que não muda de cor, não retém calor, não se dilata nem se contrai, resiste a ácidos e não absorve água da chuva. As pastilhas são triangulares e finas, com 3 milímetros de espessura e 4 centímetros de lado.

Foto: Reprodução/Alesp

A pedido do cardeal-arcebispo dom Sebastião Leme, que queria homenagear o Sagrado Coração de Jesus, foi instalado um coração na parte interna do monumento, revestido de pedra-sabão. Ele está no nono andar da construção.

Foto: Reprodução/Alesp

O Redentor tem para-raios na cabeça, em forma de coroa, e ao longo dos braços. Esse sistema é reforçado constantemente.

Foto: Reprodução/Redes sociais

Leia também: “Cristo Redentor gera 21 mil empregos e movimenta R$ 1,4 bilhão ao ano”

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