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'Eu não duvido de absolutamente nada', afirma namorada, sobre armadilha para matar delator do PCC

Antônio Vinicius Gritzbach foi assassinado no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, no dia 8 de novembro

PCC
Câmeras de segurança mostram quando atiradores assassinam empresário ligado ao PCC no aeroporto | Foto: Reprodução/Twitter/X

A namorada de Antônio Vinicius Gritzbach, que delatou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e foi morto no Aeroporto Internacional de Guarulhos em 8 de novembro, levantou a hipótese de que uma emboscada tenha sido armada para executá-lo. Ele morreu depois de ser alvejado com dez tiros de fuzil ao desembarcar em São Paulo, enquanto retornava de Alagoas.

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Em entrevista ao programa Domingo Espetacular, exibido neste domingo, 24, Maria Helena Paiva Antunes sugeriu que as joias recebidas pelo empresário possam ter facilitado o rastreamento de seus passos. Ela afirmou que descobrir quem entregou essas joias pode esclarecer muitas dúvidas. Maria Helena explicou que desconhece quem forneceu os itens, mas acredita na possibilidade de ligação com os inimigos do namorado.

“Eu não duvido de absolutamente nada”, disse Maria Helena. “Para mim, tudo agora pode ser alguma pista de algo que relacione. Eu acho que a partir do momento que descobrir quem é que foi que entregou essas joias, eles podem ter uma resposta mais certeira. Porque até então eu não sei quem entregou essas joias, se essa pessoa tem alguma ligação com esses inimigos dele.”

Dois homens responsáveis pela segurança de Gritzbach em Maceió buscaram as joias. Os itens fariam parte do pagamento de uma dívida. Maria Helena relatou saber pouco sobre o assunto.

Segundo ela, Gritzbach apenas mencionou a necessidade de receber as peças e combinou a busca com os seguranças Danilo e Samuel por telefone. Depois da execução, a polícia apreendeu as joias, avaliadas em cerca de R$ 1 milhão. Entre os itens estavam peças de marcas renomadas, como Bulgari, Vivara e Cartier.

Antes de sua morte, Gritzbach reafirmou o envolvimento de policiais com o PCC

No dia 31 de outubro, oito dias antes de sua morte, Gritzbach esteve na Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo. Ele reafirmou acusações contra policiais envolvidos em corrupção. Maria Helena percebeu que ele demonstrava maior nervosismo nos dias seguintes, mas ele não comentou a delação. Ela revelou que, se soubesse do fato, teria sugerido adiar a viagem.

A jovem conheceu o delator do PCC pelo Instagram há cerca de um ano e meio. Pouco tempo depois, os dois iniciaram um relacionamento amoroso. Nos dias que antecederam o crime, ela sentiu-se apreensiva e compartilhou suas preocupações com o namorado. Ele, no entanto, minimizou os riscos.

Câmeras do aeroporto registraram o momento da execução. Maria Helena afirmou que todos, incluindo os seguranças, estavam despreparados para um ato tão violento em um local público. A Secretaria da Segurança Pública criou uma força-tarefa para investigar o caso. O trabalho já resultou no afastamento de oito policiais militares que atuavam na escolta de Gritzbach.

“Tem gente falando que eu deveria ter morrido junto, ou que eu vou morrer, que, talvez, minha reação na hora foi fria, porque eu não fiquei ali junto ao corpo”, disse a namorada do delator. “Gente, eu não desejo nem para o meu pior inimigo que passe o que eu passei. Na hora, eu fiquei desesperada, andando igual ‘barata tonta’. Eu não sabia o que fazer.”

No dia do atentado, Gritzbach chegou ao aeroporto acompanhado da namorada. Ele seria recebido pelo filho e mais quatro seguranças. Um dos carros usados pela escolta apresentou falha mecânica, o que deixou três agentes para trás. Apenas um estava no local no momento do ataque.

A polícia ainda analisa a hipótese de negligência ou ação deliberada dos agentes. Os investigadores apreenderam os celulares dos envolvidos e avançam na apuração dos fatos.

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