‘Fique em casa se puder’: como forçaram o lockdown com algemas e comércio soldado

Chaves de braço, multas e um Estado policial mostram que a política de trancamento não foi opcional
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Foto: Montagem Revista Oeste/Redes Sociais
Foto: Montagem Revista Oeste/Redes Sociais

“Medidas socioeconômicas importantíssimas, elas foram adotadas (…) para sustentar o ‘fica em casa’ no pico da pandemia — ‘fica em casa, se puder’”. Foram estas as palavras usadas pela jornalista Renata Vasconcelos durante entrevista ao presidente Jair Bolsonaro no Jornal Nacional, na noite de ontem, 22.

Não há registro em lugar nenhum de que a expressão “fica em casa, se puder” tenha jamais sido utilizada por ninguém.

A mesma Renata Vasconcelos, em vez de enfatizar um inexistente “se puder”, deu uma ênfase diferente no auge da pandemia: de que a ordem era “ficar em casa até que venha a orientação pra sair”.

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Um dos primeiros casos famosos foi um espancamento coletivo de policiais em uma mulher em Araraquara. Ninguém pensou em um “se puder” naquele momento.

A própria Rede Globo, dona do Jornal Nacional, foi taxativa no Fantástico: a ordem era “geral”, e não “se puder”.

Outro programa da mesma emissora em que Renata Vasconcelos trabalha, o Profissão Repórter, condenou à eternidade uma curiosa reportagem: os jornalistas acompanhavam a fiscalização da prefeitura, que exigia o fechamento de comércios e multava quem estivesse aberto.

Entre lágrimas desesperadas de comerciantes, os repórteres ainda culpavam os próprios comerciantes — que “não podiam” ficar em casa — mesmo enquanto filmavam geladeiras vazias e famílias sem ter o que comer.

Na chamada para o Profissão Repórter, o que líamos era: “Em Guarulhos, fiscais da prefeitura multam comerciantes que desrespeitam restrições”. Nada de um “fique em casa, se puder”. O Fantástico também cravou um desumano “Cenas de desrespeito às restrições de circulação se repetem em várias cidades do país”.

Já no G1, da mesma Globo, uma reportagem de agosto de 2020 avisava que o “Estado de SP registra 256 crimes por desrespeito ao isolamento e falta de máscara na pandemia; 13 vão responder a processo”. “Crime”. Nenhum “se puder” amenizador — ou, no caso, atenuante.

“O choro é livre”

 Já a jornalista Maju Coutinho, também da Rede Globo, ao anunciar que os especialistas seriam “unânimes” (sic) em exigir o trancamento, soltou de maneira insensível o clichê “o choro é livre”. A própria apresentadora não estava trabalhando de home office no momento, como também não o podiam vendedores, faxineiros, zeladores, pedreiros e tantos outros.

As classes mais pobres, sem surpresa, foram as mais afetadas pela política do fechamento de comércios, trancamento de ruas e truculência policial nunca antes vista durante a pandemia. Alguns jornalistas de esquerda, que costumam criticar a violência policial, justificaram a crueldade com o mantra “a economia a gente vê depois”.

No Piauí, um comerciante sofreu um surto epiléptico enquanto era algemado. Ficou sem socorro. O governo era do petista Wellington Dias.

Na cidade de Rio das Ostras (RJ), um pipoqueiro, impedido de trabalhar, desesperou-se e tentou cometer suicídio em frente à prefeitura.

O comércio com menos recursos logísticos teve de agir como se fosse tráfico de drogas entre fins de 2020 e 2021. Muitos comerciantes tinham de manter portas fechadas e atender clientes às escondidelas. Isto enquanto o próprio tráfico de drogas era facilitado, com proibições de operações policiais em morros com traficantes devido à própria pandemia.

Os trabalhadores sofriam violência policial por trabalhar, justamente porque “não podiam” ficar em casa. Cenas de abuso policial, inclusive contra mulheres, principalmente de baixa renda, não receberam um muxoxo de crítica de feministas ou de caudatários de partidos com “trabalhadores” no nome.

“Poder” ficar em casa, obviamente, foi um luxo da elite — principalmente de grandes conglomerados monopolistas que viraram sinônimo do próprio comércio. Já os pequenos varejistas, apenas para ficar em um exemplo, foram tratados como criminosos.

Ficou também famoso um espancamento numa praia (deserta na hora) no Rio de Janeiro, enquanto ônibus e metrôs permaneciam lotados. O maior risco para a banhista, disparado, foi a aproximação dos policiais.

Mas o caso mais grave de autoritarismo contra inocentes na história brasileira se deu em São Paulo: a prefeitura soldou comércios para impedir sua abertura. Apesar de o site da prefeitura ter apagado o post gabando-se do feito, ele ainda pode ser visto em arquivo na internet.

Isto para não falar dos pequenos trabalhadores ambulantes: sem clientela e, não raro, tendo seu pouco sustento tomado pelo Estado em nome da ciência, pois “a economia a gente vê depois”. Eles “não podiam” ficar em casa.

O lockdown foi anticientífico e negacionista

Na verdade, a suposta “unanimidade” aventada por Maju Coutinho, que também em si, é uma fake news. A apresentadora não pesquisou o tema para encontrar “unanimidade”, como o comprova um estudo da Universidade Oxford ainda de abril de 2020, que mostrava que as tais “ondas” tão temidas da pandemia não funcionavam como dizia a mídia — como a Rede Globo de Maju Coutinho.

Posteriormente, a desconfiança com a efetividade do trancamento, fossem lockdown, isolamento social ou outros modelos intermediários ou híbridos de quarentena, foi confirmada por um artigo pouco comentado na mídia: um estudo da Universidade Johns Hopkins provando pouco ou nenhum impacto das medidas restritivas na contenção do vírus.

A única resposta da velha mídia foi afirmar que o estudo não era da Johns Hopkins, e sim a meta-análise (que envolveu mais de mil estudos). O caso já havia sido explicado pelo jornalista científico Alex Berenson em um livro de junho de 2020: um lockdown só poderia ser efetivo antes de o vírus se espalhar em um país. Quando Donald Trump sugeriu restringir voos da China, foi chamado de “xenófobo”.

Adicionalmente, tivemos os óbvios problemas do lockdown para a economia, já antevistos no começo de 2020 e ignorados à época.

O “fica em casa”, que nunca teve o complemento falso “se puder” também pode ter causado ainda mais mortes do que o próprio vírus — ainda que estas não apareçam em estatísticas comentadas na velha mídia. O próprio Departamento de Saúde britânico começou a investigar mortes por doenças cardíacas, além de câncer e diabetes, que podem ter se agravado com o lockdown.

“O choro é livre”, como disse uma jornalista da Rede Globo, mas era só “se puder” — nós, os sobreviventes, fomos avisados tardiamente.

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15 comentários Ver comentários

  1. O LOCKDOW forçado, deixou famílias sem suporte, sem ganhos para levar alimento pra casa. Obrigado PRESIDENTE E EQUIPE, pelo AUX. EMERGENCIAL..
    E COMPRAR VAVINA COM A BULA DA PFIZER , colocando nas costa do PRESID4NTE E OU USUARIO OS EFEITOS ADVERSOS, NECESSITOU DE AVALIACAO, ALIAS a avaliação deve continuar, já que segundo ESPECIALISTA A FASE covid 19 ACABOU , estamos com novo vírus, mais aplicar em crianças!?!? Seria pra aproveitar doses!?!?

  2. Esses imundos da globo estão se lixando para você comerciante, trabalhador, que tem que se sustentar. Desde que os objetivos da emissora sejam atendidos você não passa de um Zé ninguém.

  3. Essa jornalista da TV Bobo quer posar de boazinha para o público agora.

    Eu perdi minha fonte de renda nesse período, pois trabalhava em cafeteria.

    É muita maldade dessas pessoas que puderam ficar em casa falar isso sem colocar a mão na consciência.

    Imagina se os caminhoneiros, agricultores e pecuaristas tivessem ficado em casa de boa.

    O que as pessoas iam comer ? iPhone ?

    1. Jornalistas? As pessoas entram na globo para serem artistas, mas esses dois, que só conseguiram vaga para ler notícias entre as novelas, resolveram montar um esquete onde pretendem espantar os espectadores fazendo caras e bocas.

  4. Grandes empresas tiveram alguns percalços, mas seguiram. O problema foi com o pequeno que não podia ficar um mês sem faturamento e que, muitas vezes, já tinha algum empréstimo de giro contratado com banco. Mandar uma pessoa nessa situação cerrar as portas por um mês ou dois quase sempre equivale a obriga-la a fechar o negocio em definitivo. E quem trabalhava com ele foi para a rua. Com os ambulantes citados na matéria foi ainda pior, pois era um ataque direto ao básico da sobrevivência. Mas sabemos o que está por trás disso, tanto da parte de vários políticos quanto da imprensa canalha que apoiou as medidas: poder. Eles continuam achando que mandam no país. Mas isso só é verdade por um lado, e apenas porque estamos permitindo.

  5. Chamar uma desqualificada como esta aberração de jornalista é uma ofensa aos jornalistas, isto deve ter este emprego pago na cama com os seus superiores. Fico pensando como pessoas que pelo que consequiram financeiramente na vida, não vêem como esta uma prejudica seus negocios, deve ser boa na cama.

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