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Leilão define construtora do túnel submerso Santos−Guarujá nesta sexta-feira, 5

Projeto é o primeiro do tipo no Brasil, prevê investimento de quase R$ 7 bilhões e tem conclusão prevista para 2030

Lula e Tarcísio lançam projeto de construção do túnel Santos-Guarujá
Túnel é considerado o maior projeto do Novo PAC | Foto: Reprodução/Youtube

O leilão que definirá a empresa responsável pela construção do primeiro túnel submerso do Brasil, que vai ligar Santos e Guarujá, ocorre nesta sexta-feira, 5, na sede da B3, em São Paulo, a partir das 16h. O projeto, que representa um investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, conta com a participação de duas concorrentes: Acciona Concesiones, da Espanha, e Mota-Engil, de Portugal.

O critério de escolha será o maior desconto na parcela mensal a ser paga pelo governo à concessionária vencedora durante os 30 anos de contrato. Se houver empate na proposta inicial, uma nova rodada de lances poderá ser realizada ao vivo para definir o vencedor.

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O empreendimento é fruto de uma parceria entre os governos estadual e federal, além do setor privado, que assumirá a construção, a operação e a manutenção do túnel. O edital determina que as obras devem ser concluídas até 2030.

Projeto do Túnel Santos−Guarujá | Foto: Reprodução/Governo do Estado de São Paulo

Com previsão de se tornar a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, o túnel terá cerca de 1,5 km de extensão, dos quais aproximadamente 870 metros serão submersos. A passagem permitirá o tráfego de veículos de passeio, transporte público, caminhões, bicicletas e pedestres, a fim de substituir o atual fluxo de cerca de 78 mil pessoas que cruzam o canal diariamente em barcos e balsas.

A ideia de ligar Santos e Guarujá com um túnel é antiga e foi discutida pela primeira vez em janeiro de 1927, quando Júlio Prestes era governador de São Paulo e o engenheiro Enéas Marini apresentou o projeto inicial. O plano ficou décadas sem avanços, até ser retomado no início deste ano, com o lançamento do edital pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que anunciou o leilão em fevereiro.

Disputa política e cooperação entre governos

A obra é considerada estratégica para a mobilidade da região e tornou-se símbolo de disputa política entre os governos estadual e federal. Ambos os gestores destacaram o projeto como marco de suas administrações.

Apesar da rivalidade, os discursos oficiais têm destacado a necessidade de cooperação institucional. No lançamento do edital, depois de Tarcísio elogiar Lula, o presidente afirmou: “Não é possível a gente deixar de trabalhar de forma conjunta, de compartilhar esforço, porque eu não gosto de fulano, o fulano não gosta de mim”.

Nos últimos meses, no entanto, as menções ao projeto passaram a ser feitas separadamente, principalmente em discursos a eleitores e nas redes sociais. O contexto político também influencia a disputa, já que Tarcísio, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, é apontado como possível candidato à Presidência em 2026. Lula acredita que o atual governador paulista será o principal nome da oposição no próximo pleito.

Técnica de construção do túnel leva desafios geológicos em conta

A técnica de construção do túnel estabelece que “cada peça é construída em terra firme, testada e depois transportada por flutuação até o local de instalação”, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos. “Lá, os blocos são cuidadosamente afundados, encaixados no leito do canal e protegidos por camadas de areia e pedras.”

Túnel Santos-Guarujá
Túnel Santos−Guarujá terá custo de cerca de R$ 7 bilhões | Foto: Divulgação

A escolha da técnica levou em conta o solo local, formado por argilas moles e sedimentos fluviais, o que inviabiliza escavações profundas. O ministério destacou também que “além disso, o túnel imerso apresenta vantagens ambientais e urbanas, exigindo menos desapropriações, reduzindo o impacto visual e permitindo uma execução mais rápida e eficiente”, conforme nota oficial.

Uma ponte foi descartada devido aos limites impostos pela Base Aérea de Santos e pelo tráfego de navios no canal portuário.

O processo de construção será realizado em etapas rigorosas para garantir segurança e precisão. Primeiramente, haverá escavação do fundo do canal e preparação de uma base de concreto, além da fabricação dos módulos, que passarão por testes de vedação e resistência.

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