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O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) acusa a influenciadora Virginia Fonseca de participar de uma estratégia predatória para promover a plataforma de apostas Blaze durante a Copa do Mundo, explorando fragilidades cognitivas dos consumidores. A denúncia aponta que a divulgação utilizou técnicas de persuasão, como urgência artificial, e que a relação parassocial com seus seguidores poderia aumentar a influência sobre suas decisões.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) acusa a influenciadora Virginia Fonseca de integrar uma estratégia de comunicação considerada predatória para promover a plataforma de apostas Blaze durante a Copa do Mundo. Segundo o órgão, a divulgação teria explorado mecanismos de influência comportamental para estimular a adesão de apostadores.
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Na denúncia, o MPDFT declara que a atuação da influenciadora faria parte de uma estrutura planejada para explorar fragilidades cognitivas dos consumidores em larga escala, ao utilizar recursos como criação de urgência artificial, personalização da mensagem e apresentação da publicidade como uma interação espontânea.
A urgência artificial é uma técnica de persuasão em que uma mensagem cria a sensação de que a pessoa precisa tomar uma decisão rapidamente, sem necessidade real.
Para o MPDFT,, a participação de Virgínia não representaria uma ação publicitária isolada. A acusação sustenta que mensagens da Blaze e o vídeo publicado pela influenciadora estariam inseridos em uma estratégia coordenada para ampliar a captação de usuários e reduzir a capacidade de avaliação crítica do público.
Um dos pontos centrais da denúncia é o conceito de relação parassocial. Segundo o MPDFT, a proximidade construída por Virginia com seus seguidores, por meio de uma imagem de acessibilidade e autenticidade, faria com que a divulgação da aposta fosse recebida menos como propaganda e mais como uma recomendação pessoal.
O órgão relata que essa dinâmica pode aumentar a influência sobre o comportamento dos seguidores, levando parte do público a reproduzir escolhas apresentadas por uma figura com quem desenvolveu uma sensação de confiança ou proximidade.
A acusação também aponta problemas relacionados ao mercado de apostas no Brasil. O MPDFT afirma que a expansão de plataformas sem regulação adequada teria provocado impactos econômicos relevantes, com aumento de casos de inadimplência e superendividamento, especialmente entre consumidores de menor renda.
Na ação, o MPDFT pede que Blaze e Virginia Fonseca sejam condenadas solidariamente ao pagamento de R$ 120 milhões por danos morais coletivos.
Segundo a denúncia, o valor foi calculado a partir de uma estimativa considerada conservadora pelo órgão, segundo a qual a Blaze teria movimentação anual de aproximadamente R$ 600 milhões em receita bruta de jogos. O MPDFT aplicou, por analogia, um percentual de 20% sobre esse montante para chegar ao valor solicitado.
O MPDFT considera que a investigação começou depois do recebimento de reclamações de consumidores que relataram dificuldades para sacar valores, bloqueios de contas e retenção de recursos depositados na plataforma.
Além disso, a ação cita um relatório técnico que reuniu mais de 42 mil reclamações contra a Blaze. De acordo com o MPDFT, os registros apontariam um padrão recorrente de possíveis violações aos direitos dos consumidores, incluindo ofertas de bônus vinculadas a exigências consideradas abusivas.
Virgínia e empresa respondem às acusações sobre bet
A Blaze e Virginia Fonseca ainda poderão apresentar suas manifestações no processo, conforme o andamento da ação judicial. Ambas, porém, contestam as acusações, segundo a Agência Brasil.
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A defesa de Virgínia Fonseca relatou que tomou conhecimento da ação pela imprensa. E declarou que as alegações da acusação serão respondidas durante o processo.
Segundo o advogado Sanderson Mafra, não houve prejuízo aos consumidores e tampouco atuação predatória. “A defesa refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores”, afirmou o advogado.
“A responsabilização civil deve estar amparada em provas concretas, e não em presunções ou ilações decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadora.”
A plataforma Blaze declarou que cumpre a legislação e as normas que regulamentaram as apostas on-line e que prestará os devidos esclarecimentos quando for notificado sobre o andamento da ação civil.
“Nossas operações e parcerias são sempre pautadas pelas melhores práticas de mercado, com foco absoluto na segurança de nossos usuários, seguindo princípios legais e normas aplicáveis, assim como com base nas diretrizes de jogo responsável.”
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