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Brasil

Perereca polinizadora é encontrada no Rio de Janeiro

O anfíbio foi descoberto na área de restinga fluminense

Perereca Xenohyla truncata foi descoberta no Rio de Janeiro | Imagem: Henrique Nogueira/Reprodução

Quando ouvimos falar em polinização nos vêm à mente automaticamente as abelhas. Mas esse estereótipo — perfeitamente cabível, por sinal — pode mudar. Isso porque pesquisadores brasileiros descobriram um anfíbio na costa do Rio de Janeiro que, assim como as abelhas, também contribui com a polinização da vegetação nativa: uma perereca.  

Os pesquisadores observaram um dos poucos anfíbios do mundo que se alimentam ativamente de frutos, flores e — aqui está o pulo do gato da polinização — de néctar. Segundo a National Geographic, o artigo escrito pelos cientistas brasileiros foi publicado no periódico científico Food Webs. De acordo com Carlos Henrique Nogueira, médico veterinário do Instituto de Biociências da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e principal autor do estudo, a perereca Xenohyla truncata é um anfíbio de uma espécie endêmica de áreas de restinga fluminense.  

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Perereca X. truncata se alimentando de uma pequena flor da planta Cordia taguahyensis, conhecida como frutinha do ...
Perereca Xenohyla truncata alimentando-se da flor “frutinha do leite”. Imagem: Henrique Nogueira/Reprodução

Sobre a descoberta, Nogueira disse: “Seria o primeiro registro de polinização para o grupo de anfíbios, e essa possibilidade é incrível demais!”. Segundo o artigo dos brasileiros Entre frutas, flores e néctar: a extraordinária dieta da rã Xenohyla truncata, o achado desta espécie pode ser revolucionário, pois a polinização e a dispersão de sementes — processos imprescindíveis para a sobrevivência das plantas — costumam receber a ajuda de mamíferos e pássaros.  

Não se espera que pererecas, rãs e sapos ajudem a polinizar as plantas, porque quase todas as espécies são carnívoras. A dieta da perereca Xenohyla truncata, segundo Nogueira, é nectarívora. “Ninguém, de fato, tinha registrado esse bicho se alimentando até o momento”, disse o pesquisador. Os pesquisadores esperam aprender mais sobre os hábitos da espécie, e sobre o papel ecológico único e distinto que ela desempenha dentre todos os anfíbios vivos. 

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