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União Brasil vai ao STF contra soltura em massa de criminosos com doenças mentais

Partido questiona resolução do CNJ que prevê fim dos hospitais de custódia psiquiátricos

CNJ
Resolução do CNJ prevê fechamento de hospitais de custódia até maio de 2024 | Foto: Gil Ferreira/Agência CNJ

O União Brasil ingressou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a Resolução 487/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que prevê o fechamento dos hospitais de custódia para criminosos com doenças mentais. De acordo com a resolução, essas unidades devem ser fechadas até maio de 2024, e os até mesmo os presos de alta periculosidade devem fazer tratamento em hospitais gerais.

Assim como o Podemos, que também protocolou — em maio — ação no STF contra a resolução, o União afirma que o CNJ invadiu a competência do Poder Legislativo ao alterar “toda a sistemática do Código Penal estabelecida para as medidas de segurança”.

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Hoje, a legislação prevê que quando o criminoso for considerado inimputável — não tem consciência de seus atos — deve ser absolvido, mas permanecer em instituição hospitalar, se representar risco à sociedade.

“A resolução violou flagrantemente a competência do Poder Legislativo, promovendo a relativização da participação fundamental da perícia médica e dos magistrados da execução penal, que acompanham o comportamento do agente e podem atestar com maior segurança a sua periculosidade”, escreveram os advogados do União, na ação ao STF. “Por mais nobre que seja a intenção do CNJ, não se pode agir ao arrepio da lei. Se há necessidade de mudar a lei, deve-se pleitear a alteração junto ao Congresso Nacional.”

O partido ressalta que a Lei Antimanicomial, de 2001, determinou o fim de manicômios e sanatórios que existiam no Brasil, onde conviviam doentes mentais de todos os graus, e hoje só estão internados nos hospitais de custódia os doentes mentais que cometeram crimes graves e apresentam alto grau de periculosidade.

Por isso, o União salientou que “as alterações inconstitucionais e ilegais promovidas pela resolução do CNJ afetarão negativamente e de forma irreversível a vida de milhares de doentes mentais que hoje se encontram em tratamento psiquiátrico nos hospitais de custódia; ademais, elas podem pôr em risco a segurança pública, que já é precária”.

Para o partido, as consequências da resolução serão “desastrosas”, porque os hospitais gerais não têm condições para que a assistência médica seja apropriadamente prestada e nem mesmo estrutura para garantir a integridade física dos pacientes inimputáveis que praticaram infrações penais.

A ação cita, ainda, dezenas de instituições médicas que fizeram manifestações públicas contrariamente às diretrizes que “padecem de vícios éticos, jurídicos e técnicos” e foram “açodadamente” aprovadas pelo CNJ.

A ação do União foi distribuída ao ministro Edson Fachin, também relator da demanda do Podemos.

Leia também: Assassinos, estupradores e pedófilos em liberdade, reportagem de Maffezzolli publicada na Edição 168 de Oeste.

1 comentário
  1. Christian
    Christian

    Tudo isso para soltar o Adélio Bispo.
    Uma pessoa que sabe mais do que deve….

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