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Cultura

A coragem de Trovão Tropical

Quase nada do que aparece na tela passaria pelas patrulhas de autocensura woke de hoje

Imagem: divulgação | Foto: Imagem: divulgação

Trovão Tropical (Tropic Thunder, 2008) pode ter sido o último grito de coragem de Hollywood. Quase nada do que aparece na tela passaria pelas patrulhas de autocensura woke de hoje.

A história (escrita por Justin Theroux, Ben Stiller e Etan Cohen) mostra um grupo de atores (ruins) participando de um filme sobre a guerra do Vietnã “baseado em fatos reais” que não são tão reais assim. Eles acabam se perdendo na floresta durante a filmagem e enfrentam uma quadrilha de produtores de heroína. Só que os atores pensam que os bandidos também fazem parte da produção. O que se segue é o caos. Tudo misturado com a autogozação da própria arrogância da cultura de Hollywood.

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Hoje não passaria perto de uma aprovação a transformação do personagem de Robert Downey Jr. — o ator Kirk Lazarus. Para fazer o papel de um sargento negro, ele pigmenta a própria pele e força um sotaque que é puro clichê. Isso é “black face”, pecado mortal para os militantes de esquerda na indústria do cinema de hoje. Pensar que Downey Jr. foi indicado para o Oscar de melhor ator coadjuvante mostra o abismo de autocensura em que Hollywood está afundada hoje.

Os outros “atores” do filme são igualmente ridículos. Jack Black faz o papel de Kirk Lazarus, um astro de comédias de baixíssimo nível. Ben Stiller é Tugg Speedman, um péssimo ator que faz repetitivos filmes de ação. Brand T. Jackson faz o papel de rapper que tem a cara de pau de atender pelo nome de “Alpa Chino”.

O elenco — predominantemente masculino — ainda tem outros grandes nomes, como Bill Hader, Steve Coogan, Nick Nolte, Matthew McConaughey, Tobey Maguire e Danny McBride. Mas quem rouba o show é Tom Cruise, como o repugnante dono de estúdio Les Grossman, peludo, gordo e com mãos enormes. Sua dança no final durante os letreiros finais já virou um clássico:

Em Trovão Tropical o diretor Ben Stiller, no auge da carreira, faz uma espécie de paródia do clássico Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola. Mas vai além da simples paródia, misturando a futilidade da indústria do cinema e seus astros que se acham deuses querendo salvar o mundo com efeitos especiais.

Disponível pela Amazon Prime.

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