A história do rock também tem sua aristocracia, com artistas supervalorizados. Outros são desprezados por críticos e jornalistas especializados e caem na vala do esquecimento.
O Steppenwolf é um desses casos. Felizmente sua história foi registrada no documentário Born to Be Wild: The Story of Steppenwolf, que está disponível pela Claro TV. É uma história curta, mas intensa. O centro dessa saga é o vocalista e líder John Kay, que tem uma história pessoal extraordinária.
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Kay nasceu Joachim Fritz Krauledat na União Soviética. Seu pai morreu um ano antes do seu nascimento. Sua mãe fugiu com John para a Alemanha Oriental e depois para o lado ocidental. De lá decidiram morar com parentes no Canadá. Durante uma consulta, John foi considerado quase cego e passou a usar permanentemente óculos escuros por causa de sua fotofobia extrema.
O russo/alemão John Kay descobriu então que gostava de blues e formou a banda Sparrow. O Canadá ficou pequeno para a ambição deles e se tornaram cidadãos americanos. Inspirados pelo romance de Hermann Hesse, mudaram em 1967 o nome da banda para Steppenwolf (“o lobo da estepe”). Dessa formação original fazia parte o tecladista Goldy McJohn, o guitarrista Michael Monarch e o baixista Rushton Moreve, depois substituido por Nick St Nicholas.
Alcançaram seu maior sucesso logo no primeiro disco: “Born to be Wild”, que fez parte da trilha sonora do filme Easy Rider (“Sem Destino”, 1969). Virou o hino dos motoqueiros e foi usada em dezenas de filmes publicitários. Mas os melhores discos vieram depois. The Second (1968) os definiu como uma “banda de blues psicodélico”, com outro grande sucesso, “Magic Carpet Ride”. Monster (1969) foi o álbum mais político, especialmente crítico ao envolvimento americano no Vietnam. For Ladies Only (1971) foi outro destaque pelo seu experimentalismo, com toques de jazz. Durante a carreira, o Steppenwolf vendeu 25 milhões de discos.
Os discos seguintes não foram tão bons. A personalidade forte e a “disciplina germânica” de John Kay se chocaram com os outros membros da banda. Logo cada um quis formar seu próprio “Steppenwolf”. Como mostra o documentário, Kay se encheu da bagunça e resolveu formar o John Kay & Steppenwolf, que chegou a tocar no Brasil. Hoje, aos 81 anos, desistiu da música. Mas não pode esquecer do que fez, pois a qualquer momento vai acabar ouvindo “Born to be Wild” na televisão.
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