O enredo de Amores Materialistas (direção Celine Song) é atual e teimosamente atemporal. Toca em aspectos da vida moderna aparentemente adormecidos, em meio à onda de violência que domina séries e filmes. Mesmo quando fingimos não notar, o que nos acompanha é a carência humana.
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Se ainda há espaço para uma lição de moral, ela é simples: por mais tecnologia, atalhos e automatismos que existam, as pessoas continuam precisando de afeto. Pensar o contrário é ilusão criada pelos aplicativos, pelas respostas instantâneas e pela rotina quase mecânica do WhatsApp.
No filme, disponível na Prime, a jovem Lucy (Dakota Johnson) é uma eficiente casamenteira, a mais habilidosa funcionária de uma agência de encontros. Mesmo sendo alguém sensível, aprendeu a utilizar, de forma automática, todos os requisitos para a combinação das pessoas.
Até se dar conta de que ela mesma, enquanto busca formar casais, se vê com o mesmo dilema de seus clientes. Quem é, e não o que é, seu verdadeiro amor?
Ela se envolve com Harry, um milionário nova-iorquino (Pedro Pascal), para esquecer o ex-namorado, vivido por Chris Evans, um artista que batalha para conquistar alguma estabilidade. Lucy se cansou do apartamento bagunçado, das contas apertadas e da vida compartilhada com colegas confusos.
O filme, ainda, traz aspectos curiosos de bastidores. Dakota é filha dos astros Don Johnson e Melanie Griffith, que também viveram um relacionamento cheio de idas e vindas.
Já Chris Evans, o Capitão América, deixa a roupagem de super-herói para vestir trajes de homem comum. A trilha é bem ao gosto dos apaixonados pela cultura norte-americana. Une várias épocas, do indie à voz de ícones como Harry Nilsson e Neil Diamond. Traz também o jazz em seu estilo mais melódico.
Durante as falas, são expostas questões contemporâneas: modismos como as cirurgias para ganhar altura, e as exigências intermináveis de quem busca um parceiro “perfeito”, como estilo de vida, aparência, status.
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Lucy, ao ir aprendendo sobre si mesma, ajuda o espectador a mergulhar em um mundo de incertezas, de buscas, de frustrações e de esperança inerente a todos.
Na trama, os personagens não mentem, não querem enganar para se dar bem.. Os diálogos são feitos de sentimentos sinceros. Sem serem piegas por causa disso. A realidade se basta com a busca da verdade. Sem apelo. Sem precisar dar nenhum tiro.
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