Viena é uma cidade de extremos: beleza, luxo e cultura. Repressão, controle e perseguição a judeus. Nada disso estava na mente do cantor norte-americano Billy Joel quando ele fez a canção Vienna, no início dos anos 1970, perto dos 20 anos de idade.
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Em vez dos palácios, museus e avenidas ornamentadas, o cenário em sua mente foi o reencontro com o pai, Helmut, que não via desde os oito anos. Mais do que uma homenagem à geografia da cidade, a música a utiliza como um conceito. Um porto seguro. Um reencontro.
When will you realize
Vienna waits for you?
(Quando você vai perceber que Viena espera por você?)
O solo em piano e as frases suaves, cantadas com seu timbre fino e impactante, fazem a música extrapolar o pop norte-americano. Como Joel bem sabe fazer.
Mantém arpejos ornamentados e toques impressionistas, lembrando Debussy ou Satie. O sopro traz leveza e melancolia, em sintonia com violinos e violas.
A combinação traz encantamento e melancolia. Pai e filho caminharam pela cidade austríaca quando Joel viu uma mulher idosa varrendo a rua. Comentou que era “triste” ver alguém daquela idade ainda trabalhando.
Ouviu do pai a resposta de que não era bem assim. A mulher tinha um papel útil na sociedade e, mais do que isso, ainda se sentia parte dela. Ao contrário de como, segundo o próprio Joel, os idosos muitas vezes são tratados nos Estados Unidos.
Depois da viagem, Joel escreveu a música, lançada em 1977. Ele tem dois irmãos: Judy Joel, irmã adotiva, filha da irmã de sua mãe, e Alexander Joel, meio-irmão, fruto do segundo casamento de Helmut, também conhecido como Howard Joel. Alexander ainda era bebê quando Billy reencontrou o pai.
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Helmut deixou os filhos em Nova York e seguiu para outra vida, na Áustria. O reencontro não apagou o passado, mas aliviou parte do conflito. Joel transformou aquela experiência íntima em música.
O pai havia reconstruído sua existência e formado uma nova família. Joel começava a acumular vivências que se transformariam em arte. Dali surgiria uma carreira de sucesso. Mas, para um filho, permanece sempre a dor — e a dúvida — de saber que um dia foi deixado pelo pai.
A compensação para esse dilema veio por meio da obra. Vienna foi incluída no álbum The Stranger. O Estranho. É assim que um artista, mesmo consagrado, costuma se sentir, ao encaixar seus sonhos à realidade da vida. Em Viena ou em qualquer outro lugar.
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