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Cultura

Burt Bacharach: o pop como arte

Autobiografia revela a criatividade (e os problemas pessoais) de um grande compositor

Imagem: reprodução Wikipedia

Fazer música pop hoje virou uma corrida em busca da irrelevância. A impressão é a de que quanto mais impessoal e esquecível, mais a música vende.

Burt Bacharach (1928-2023) foi o contrário disso. Durante os anos 1960 especialmente ele levou o conceito de música pop a um patamar de arte, com composições complexas, elaboradas – e inesquecíveis como a boa música pop deve ser. Ele tinha um conhecimento de teoria musical tão grande quanto seu desejo de experimentar novos formatos. Seu auge aconteceu quando se uniu em parceria com o letrista Hal David.

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Bacharach era capaz de compor uma canção leve como tema de um faroeste violento (“Raindrops Keeps Falling in my Head”), misturar diversos andamentos na mesma música (“Promises, Promises”), fazer de uma valsa um grande sucesso (“What’s New Pussycat?”) e flertar com ritmos brasileiros como a bossa nova (“The Look of Love”) e o baião (“Do You Know the Way to San Jose?”) Uma de suas obras primas, a trilha sonora do filme Casino Royale (1967) infelizmente está sumida do mercado.

Sua autobiografia Anyone Who Had a Heart (em inglês, disponível pelo Amazon Unlimited) é um guia para seu processo de criação. Mas também um sincero retrato de sua conturbada vida pessoal, do zero à fama mundial e depois à sua relativa decadência. Ele fala de seus complicados três casamentos, da filha com problemas psiquiátricos que se suicidou, das brigas com produtores e diretores de filmes, da curta, conflituosa, mas monumental parceria com Hal David e das muitas homenagens que recebeu até o fim da vida.

A biografia serve, claro, como toda biografia, para manter a lembrança de sua vida. Mas sua música se recusa a nos deixar – ela está no rádio, nas trilhas sonoras e cantada por novas gerações. Como diz seu sucesso (cantado aqui pelo grupo All Saints), sempre vai haver alguma coisa para lembrar desse cara.

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