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Cultura

De Game of Thrones para a ficção científica

Nova série da Netflix é baseada numa série de livros do autor Liu Cixin envolvendo fenômenos inexplicáveis e uma ameaça alienígena

Imagens: divulgação Netflix

Após o fim do enorme sucesso do épico medieval Game of Thrones, seus criadores David Benioff e D.B. Weiss fizeram uma mudança radical. Trocaram a HBO pela Netflix e partiram para a ficção científica.

Logo deve estrear 3 Body Problem (“O Problema dos 3 Corpos”), uma das mais caras produções da história da Netflix, uma série que custou cerca de 20 milhões de dólares por episódio. 3 Body Problem é baseado numa série de livros do chinês Liu Cixin. A história mistura fenômenos inexplicáveis, a morte em série de grandes cientistas e uma ameaça oculta de alienígenas que trabalham a longo prazo.

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Segundo o Wall Street Journal, a série começa nos anos 1960 com a violência da Revolução Cultural, um movimento de terrorismo criado pelo regime comunista chinês. A ação salta para o tempo presente, com personagens sem ligação aparente e fenômenos estranhos ao redor do planeta além de um estiloso capacete.

Para concretizar a saga de 3 Body Problem, Benioff e D.B. Weiss se uniram em 2020 ao veterano Alexander Woo, criador da série True Blood. Os livros que deram origem à série foram “abençoados” pelo autor original de Game of Thrones, George R R Martin: “uma mistura única de especulação científica e filosófica, política e história, teoria da conspiração e cosmologia, onde reis e imperadores da história ocidental e chinesa se misturam em um mundo de jogo onírico, enquanto policiais e físicos lidam com conspirações globais, assassinatos e invasões alienígenas no mundo real.”

A data para a estreia de 3 Body Problem ainda não foi definida.

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1 comentário
  1. Maria Marlene de Souza Pires
    Maria Marlene de Souza Pires

    De repente, a internet foi tomada por vídeos que comentam a série “O Problema dos Três Corpos”, da trilogia de autoria de Liu Cixin. Os comentários concentram-se na física, matemática, tecnologia, na equação de Newton, no paradoxo de Fermi e nos trissolarianos, em detrimento da discussão sobre política da China, questões de justiça, igualdade, direitos humanos e dilemas existenciais. Outro ponto, que não passa despercebido, é a abordagem da Netflix e sua apologia à cultura woke.

    Obviamente, uma das forças do filme é a exploração de conceitos científicos complexos, como física quântica e teoria dos jogos; a qualidade dos efeitos visuais e a produção geral do filme são aspectos importantes a serem considerados. A cena do navio sendo cortado é fantástica.

    No entanto, a parte filosófica e social foi pouco debatida nas redes, embora levante questões profundas sobre o papel da humanidade no universo.

    Pontos que destaco e que me deixaram desconfortável, por sua relação com a cultura woke, incluem: 1. Os personagens não criam vínculos afetivos, e o racional se sobrepõe; 2. Há uma maior mortalidade entre os homens; 3. Supremacia da figura feminina (feminismo nítido); 4. Proibição da liberdade de expressão, em um país teoricamente livre; 5. Personagem negro, mesmo sendo inteligente e cientista, é retratado com um perfil hedonista, viciado em drogas e existencialista; 6. Crítica ao capitalismo e ao empreendedorismo.

    A ausência de vínculos emocionais fortes entre os personagens pode ser uma escolha narrativa deliberada ou apenas o reflexo da política da Nova Ordem Mundial. A maior mortalidade dos homens não se deve ao fato de estarem em batalha, mas simplesmente porque não se encaixam nos planos do conquistador do mundo. O mais interessante é que a personagem chave da trama, oriunda de um país totalitário, viu seu pai ser morto por defender sua liberdade de expressão e foi traída várias vezes. Conhece a importância da liberdade de expressão, mas, ao retornar para um país livre, o define como caótico e busca outro país para que ele se apodere e resolva a situação. Assim, repete o erro, transferindo o problema para o Estado. E o pior, quem discorda de suas ideias é assassinado. Tudo isso pode levantar questões sobre a responsabilidade pessoal e a capacidade das pessoas de resolverem seus próprios problemas sem dependerem exclusivamente de intervenções externas.

    As mulheres estão na frente, em cenas de total arrogância, poderosas, desconectadas de sua parte biológica (psiconeuroendócrina). O próprio “senhor” é uma mulher. Poder centralizado. Há uma distopia, com a destruição do conceito de família. A presença de egoísmo e vingança entre os personagens pode ser interpretada como uma crítica aos aspectos mais sombrios da natureza humana. Ficou claro para mim que a série levanta questões sobre os limites da liberdade individual e os dilemas éticos envolvidos na busca de objetivos pessoais em detrimento dos direitos e liberdades dos outros.

    A série, não tem uma continuidade, uma direção, e os personagens que a principio pareciam importantes são eliminados. O vínculo não existe na trama e não existe fora dela, ou seja, com o espectador. Enfim, como é comum em adaptações de livros para o cinema, algumas partes da história podem ter sido simplificadas, distorcidas ou omitidas para se adequarem ao formato de filme e às exigências da Woke S.A.

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