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Cultura

Dolemite: cinema black sem vitimismo

O filme mostra um vendedor de discos da década de 1970 na busca de seu sonho de virar artista

Pegue qualquer filme com personagens negros nos filmes nesses últimos tempos e provavelmente eles serão mostrados como vítimas – do capitalismo, da escravidão do século 19, da sociedade branca opressora, de qualquer coisa.

Meu Nome é Dolemite (2019) é o contrário disso. Conta a história real de Rudy Ray Moore (Eddie Murphy), que vivia na obscuridade na Los Angeles da década de 1970, alimentado pelo sonho de ser artista. Ele cantava e fazia piadas, mas era considerado ultrapassado e voltava para o seu emprego de vendedor de discos.

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Um dia, Moore prestou atenção num mendigo chamado Rico, que fazia poemas altamente pornográficos e viu ali uma boa possibilidade. Gravou os poemas de Rico, deu um trato neles, vestiu uma roupa exótica e deu ao personagem o nome de Dolemite. Subiu no palco de um night club e começou a recitar os poemas com acompanhamento musical. E assim, criou uma espécie de precursor do rap.

Lançou vários discos com essas gravações – todos com capas pavorosamente cafonas – e foi para as paradas junto ao público negro. Quando parecia ter alcançado seu objetivo, Moore mostrou que queria mais. E em condições ultra precárias produziu um filme com o personagem Dolemite, com as piores cenas de kung-fu jamais filmadas. E assim, entrou no mercado em ascensão do cinema conhecido como “blaxplotation”. Os negros queriam se ver na tela, mesmo que em filmes ruins.

O trailer do Dolemite real mostra o quanto o filme com Eddie Murphy soube reproduzir esse universo com perfeição:

Uma vez que você entre no espírito desse universo cultural, a diversão é garantida. Eddie Murphy, que durante sua carreira cansou de dar tiros no próprio pé, aqui acerta em cheio. Sua angústia em querer realizar um sonho é tocante. E ele está muito divertido no papel de um ator muito ruim. Disponível pela Netflix.

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