A Netflix acaba de anunciar que adquiriu os direitos de exibição do polêmico The Perfect Neighbor, documentário que estreou no Festival de Cinema de Sundance neste ano, onde conquistou o prêmio de melhor direção na competição de documentários. A gigante do streaming pagou cerca de US$ 5 milhões pelo filme.
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The Perfect Neighbor (ou O Vizinho Perfeito, em tradução literal) é dirigido por Geeta Gandbhir. O filme mergulha na controvertida história de Susan Lorincz, norte-americana que, dentro de sua casa, disparou uma arma através da porta e acabou matando a vizinha Ajike “AJ” Owens. O caso ocorreu em 2 de junho de 2023, em Ocala, Flórida. De acordo com as informações colhidas nos inúmeros depoimentos prestados, o trágico incidente se deu depois de uma briga entre os filhos de Lorincz e Owens. Lorincz então teria lançado os patins contra as crianças, atingindo uma delas no pé, para em seguida ameaçá-las com um guarda-chuva.
Pouco depois, ao tomar conhecimento do ocorrido, Owens foi até a casa de Lorincz para confrontá-la, acompanhada do filho de 10 anos. Ajike “AJ” Owens batia insistentemente e de forma violenta na porta, quando de repente houve o disparo. Lorincz atirou através da porta. Baleada, Owens foi encontrada ferida pelos policiais e posteriormente declarada morta no hospital.
De um lado, polêmica sobre racismo; do outro, debate sobre câmeras policiais
O caso Lorincz-Owens ganhou destaque imediato nos Estados Unidos e posteriormente no mundo, gerando discussões ao mesmo tempo controversas e polêmicas. Inicialmente, o crime teve status de racismo: Ajike “AJ” Shantrell Owens era uma mulher negra de 35 anos que foi fatalmente baleada por sua vizinha branca, Susan Lorincz, de 58 anos. Mas os acontecimentos reacenderam debates sobre as leis de autodefesa da Flórida, conhecidas como stand-your-ground (algo como “mantenha-se firme”), o que em tese garante a autodefesa ao dono de uma propriedade. As autoridades locais consideram essa lei antes de efetuar qualquer prisão. Ainda assim, depois de avançadas as investigações, Lorincz acabou presa em 7 de junho de 2023, acusada de homicídio culposo com uso de arma de fogo, negligência culposa e mais duas acusações de agressão. Em agosto de 2024, o tribunal da Flórida sentenciou Lorincz e ela foi condenada a 25 anos de prisão.
Mesmo depois da condenação, a morte de Owens suscitou discussões sobre o uso de câmeras corporais por policiais. Há muitos anos sendo utilizadas nos Estados Unidos, as câmeras são promovidas como ferramentas para aumentar a transparência e a responsabilidade dos policiais. No entanto, estudos mostram resultados inconsistentes em sua eficácia na suposta prevenção da violência policial. Uma pesquisa feita pela The Australian National University e da University of Waterloo analisou diversos estudos globais e identificou inconsistências nos dados que comprovam os benefícios das câmeras corporais. As pesquisadoras destacaram que, embora as câmeras registrem interações, elas não capturam todo o contexto das filmagens ou como as imagens são utilizadas posteriormente.
Para criar uma estética que remeta às imagens obtidas pela câmeras policiais, a diretora do documentário The Perfect Neighbor, Geeta Gandbhir, também usou câmeras corporais em praticamente todas as sequências de entrevistas investigativas, além de câmeras no painel dos carros para contar a história. “Minha equipe, junto com nossos incríveis parceiros, estão entusiasmados que o filme estará disponível na Netflix”, disse Gandbhir. A Netflix planeja inclui-lo na grade de programação até o final deste ano.
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