A sala da casa parecia se iluminar quando a mãe dedilhava no piano a música Tammy. A canção foi tema do filme Tammy and the Bachelor, de 1957. Na trama, emergiram para o sucesso o par Debbie Reynolds e Leslie Nielsen, anos mais tarde conhecido por seus filmes de comédia.
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Era sobre o belo romance entre uma moça simples e ingênua e um advogado jovem e rico. Ainda naquela época, antes da massificação ideológica do tema, já se falava sobre isso. Com doçura e por meio da arte.
Trilha e enredo se harmonizaram. E o dedilhar de Tammy parecia espalhar essa harmonia pela casa. O filho, um menino perto dos sete anos, se sentia seguro com aquela melodia, vinda de sua mãe.
Já corriam os anos 1970. Tammy e seus encantos haviam ficado para trás, num tempo em que não havia internet. Mas ele ainda era um privilegiado. Entre seus jovens amigos, era dos poucos que conheciam a canção.
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Não foram poucas as vezes em que chegou à escola com a melodia na cabeça. Estava com ele diante das dificuldades do dia, das broncas dos professores, das gozações dos colegas. Sabia que, ao voltar para casa, os primeiros versos o acalmariam.
Falava, com delicadeza, de um amor não correspondido: Tammy is in Love… Ele se sentia revigorado com a voz da cantora Connie Francis, que a interpretou depois da própria Debbie Reynolds. E a deixou ainda mais famosa. Para ele, eterna.
Connie Francis tinha uma voz clara e emocional. De origem italiana, nasceu no Brooklyn, em Nova York, e integrou a cultura italiana à judaica. Não foram raras as vezes em que interpretou em hebraico. Sua linguagem maior era a melódica. Francis morreu no último dia 16, aos 87 anos.
Mas algumas vozes, ou músicas, nunca saem da casa da gente.






































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