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Cultura

Os Mamonas foram mais do que uma banda engraçadinha

O único disco oficial que eles lançaram é uma obra mais rica e importante do que parece

Imagem: Oeste/ChatGPT

Há 30 anos os cinco Mamonas Assassinas encontraram a morte na Serra da Cantareira, pertinho de Guarulhos, onde nasceram e passaram suas breves vidas. Viraram a lembrança de uma banda pop que encantava as crianças com suas palhaçadas.

Mas – na minha opinião – os Mamonas foram mais do que isso. O único disco oficial que eles lançaram é uma obra mais rica e importante do que parece. Em primeiro lugar porque é variado como quase nunca os discos brasileiros são. O CD tem funk (“1406”), música portuguesa misturada com rock (“Vira-Vira”), paródia do Clash (“Chopis Centis”), baião (“Jumento Celestino”), sátira de música romântica (“Uma Arlinda Mulher”), música folk (“Mundo Animal”). rockabilly (“Robocop Gay”), música sertaneja (“Bois Don’t Cry”), heavy metal (“Debil Metal”) e samba (“Lá Vem o Alemão”).

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Os Mamonas mostraram aí que eram músicos versáteis, capazes de passar de um estilo para o outro com muita competência. E parece inacreditável que um mesmo vocalista, o inigualável Dinho tenha conseguido simular tantos personagens diferentes.

E tem as letras. Comparada com a era de miséria criativa e ditadura woke como a nossa, os Mamonas foram livres no sentido mais amplo da palavra. Eles gozavam de todo mundo, sem limites. Dos consumidores compulsivos (em “1406”), dos portugueses (“em Vira-Vira”), dos mais humildes (“Chopis Center”), dos nordestinos (“Jumento Celestino”), do cantor Belchior (“Uma Arlinda Mulher”), dos homossexuais (“Robocop Gay”), dos cantores de rodeio (“Bois Don’t Cry”) e dos pagodeiros (“Lá Vem o Alemão”).

Gozaram até das elites que se acham os donos da verdade. Em “Cabeça de Bagre II” eles arrasaram com os esnobes que se acham muito cultos com uma letra que mistura temas sérios com rimas absurdas: “Loucura, insensatez, estado inevitável / Embalagem de iogurte inviolável / Fome, miséria, incompreensão / O Brasil é treta campeão / A polícia é a justiça de um mundo cão / Mês de agosto sempre tem vacinação / Na política, o futuro de um país / Cala a boca e tira o dedo do nariz“.

Com a morte dos Mamonas em 1996 o Brasil perdeu a última chance de rir de si mesmo. Mas Bento, Dinho, Samuel, Julio e Samuel jamais serão esquecidos.

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2 comentários
  1. FRANCISCO FERREIRA
    FRANCISCO FERREIRA

    Hoje em dia seriam massacrados pelo wokes, feminazis, LGTV e outros mais. Nesses tempos de estupidamente correto era bem provável que os crucificassem em praça pública.

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