Kevin Spacey teve uma carreira fulminante com filmes como Se7en, Beleza Americana, Os Suspeitos e Glengarry Glen Ross. Seu talento era evidente, reforçado por um senso de humor que ele exibia em imitações e paródias. Em pouco tempo ganhou dois Oscars. Em Uma Vida Sem Limites (biografia do cantor Bobby Darin), Spacey foi diretor, roteirista, ator principal e cantou todas as músicas.
Quando estava no auge da carreira, estrelando a série House of Cards, começaram a aparecer as denúncias de assédio sexual. Essas denúncias chegaram a um ponto que ele foi afastado da série e processado. Foi inocentado. Mas seus fantasmas voltaram com o documentário Kevin Spacey: a História Não Contada (Max), que reuniu oito depoimentos de homens que traçam um retrato terrível do ator.
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Normalmente ele arrumava um alvo entre os figurantes dos filmes e séries que estrelava. Seu primeiro ataque era rápido, físico, brutal e direto. Depois ele enchia sua vítima de presentes e convites para festas ou possíveis escalações em algum elenco. O alvo via ao mesmo tempo a chance de conviver com um astro de Hollywood e o medo de ter sua carreira encerrada caso não cedesse. Praticamente todos tiveram a chance de dizer “não”, mas não disseram.
O lado “psicanalítico” do documentário em duas partes é dado pelo seu irmão mais velho Randall, hoje um sujeito vestido com roupas exóticas e usando uma peruca pouco discreta. Com muita tranquilidade, Randall conta como a vida na sua família era infeliz, com um pai que usava bigodinho imitando Adolf Hitler e espalhava bandeiras nazistas pela casa. Randall foi estuprado pelo pai durante anos, enquanto Kevin era protegido pela mãe. O filho famoso começou cedo: um dos depoimentos mostra o futuro ator já abusando de um colega ainda no colégio.
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