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Cultura

'Um Dia de Fúria' e a crise do homem branco

Imagem: divulgação

Numa manhã de calor infernal em Los Angeles, Bill Foster (Kirk Douglas) está preso num congestionamento. Ao seu redor todo mundo parece histérico. Uma mosca o perturba. O ar-condicionado quebrou. O homem abandona o carro com sua camisa de manga curta cheia de canetas no bolso. A câmera mostra a placa de seu carro: “D-FENS” – que significa “defesa”. Assim começa Um Dia de Fúria.

Ele tem pavio curto, mas não provoca ninguém. Vai pedir para trocar dinheiro numa lojinha e enfrenta o dono, um estúpido imigrante coreano que mal sabe falar inglês. Vai descansar sentado numa mureta e é afrontado por uma gangue de latinos. Vai comprar um sapato e o dono da loja é um repugnante neonazista. A cada um desses conflitos que Foster não provocou, sai com mais armas numa maleta.

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Numa cena que já se tornou clássica, ele entra numa lanchonete e pede o menu do breakfast. O gerente diz que não pode servir o café da manhã, pois ele é servido até 11:30 e já são 11:33. Bill se enfurece e puxa a metralhadora da maleta. Mas pede que todos continuem comendo, ele só quer extravasar sua raiva e frustração.

Tudo o que ele quer é visitar sua filha que faz aniversário. Mas sua ex-mulher (Barbara Hershey) não deixa que ele se aproxime e chama a polícia por causa de uma violência que o ex-marido nunca cometeu. Por ser um homem branco, ele não tem direito a mais nada.

O roteiro de Ebbe Roe Smith ainda tem outra grande sacada. Prendergast (Robert Duvall), o detetive encarregado de prender Bill Foster, está no seu último dia de trabalho antes da aposentadoria. Por ser um homem gentil, é humilhado pelos colegas e pelo chefe superior. E sabe que a partir do dia seguinte vai ter que passar o resto de sua vida com a mulher (Tuesday Weld), que já foi linda, mas se transformou numa pessoa deprimida e dominadora.

O diretor Joel Schumacher conduz tudo isso com firmeza, mostrando que era um dos maiores talentos de Hollywood no seu tempo. O filme é quase profético mostrando a perda de poder do homem branco, cada vez mais submetido ao domínio de mulheres empoderadas e imigrantes que se julgam os novos donos da América. Disponível pelo Max.

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1 comentário
  1. Claudio Sehnem
    Claudio Sehnem

    olha…… nunca tinha pensando esse filme por esse prisma

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