Era questão de tempo até a série de sucesso do Prime Video, Invencível, chegar a outras mídias, e a mais óbvia delas certamente era a dos games. Com isso, a primeira coisa que fica clara em Invincible VS é que ele sabe exatamente que tipo de experiência de jogo quer entregar.
O formato 3v3 — claramente inspirado em Marvel vs. Capcom 3 e Dragon Ball FighterZ — não é apenas uma escolha estética: define toda a estrutura do gameplay. O jogador controla um time completo, alternando entre personagens em tempo real para estender combos, escapar de pressão ou virar o rumo de uma luta.
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O sistema de tag ativo é o pilar central. Ele permite continuar combos mesmo depois de trocar de personagem, criando sequências longas e visualmente chamativas. O counter tag, por sua vez, funciona como ferramenta defensiva para escapar de situações perigosas. Essa dualidade entre ataque e defesa dentro da mesma mecânica de troca adiciona uma camada estratégica que aproxima o jogo dos grandes representantes do subgênero.
Acessível na entrada, com profundidade para quem quer ir além
O sistema de quatro botões — leve, médio, pesado e especial — facilita a entrada de novos jogadores sem fechar as portas para quem quer explorar sequências mais elaboradas. Há autocombos para iniciantes, mas também liberdade suficiente para combinações mais técnicas. Esse equilíbrio é um dos pontos mais fortes do jogo, especialmente por tentar dialogar com fãs da série e com a comunidade de jogos.
O uso de assistências amplia as possibilidades estratégicas: personagens inativos podem ser chamados para prolongar combos ou criar pressão no adversário. Em mãos experientes, o jogo se transforma quase num quebra-cabeça em tempo real. A presença de rollback netcode também indica que há preocupação real com a longevidade do jogo no ambiente on-line. É uma implementação essencial para qualquer título do gênero que dependa do multiplayer para sobreviver.
O problema do arquétipo dominante
Apesar da base sólida, algumas horas de jogo expõem um problema estrutural: a homogeneidade do elenco. Boa parte dos personagens, especialmente os viltrumitas, compartilha características muito semelhantes em mobilidade e estilo de combate. O arquétipo do “flying brick” — personagens fortes, resistentes e com grande mobilidade aérea — domina a seleção inicial, o que limita a diversidade de abordagens possíveis.
Em comparação com outros títulos do gênero, que oferecem personagens técnicos e híbridos com identidades distintas, Invincible VS ainda parece restrito a uma faixa estreita de estilos. Existem exceções no elenco com habilidades mais únicas, mas elas não são suficientes para equilibrar o conjunto.
Uma campanha de uma hora com ganchos para o futuro
O modo história opta por uma narrativa original em linha alternativa do universo de Invencível, o que liberta o roteiro das amarras da continuidade principal. Nesse cenário, figuras como Omni-Man assumem papéis diferentes e a possibilidade de uma invasão viltrumita à Terra justifica confrontos entre personagens que normalmente seriam aliados. A premissa é inteligente para um jogo de luta — e conta com a participação de Robert Kirkman, criador da marca, no processo criativo, o que ajuda a preservar o tom da obra.
O problema é a duração. A campanha dura cerca de uma hora nas dificuldades mais altas e raramente exige mais de duas horas sob condições desafiadoras. A trama introduz e descarta personagens rapidamente, falhando em desenvolver os conflitos apresentados. Assim que a história acelera, o encerramento chega abruptamente com um gancho para conteúdos adicionais.
Potencial narrativo que fica na superfície
O universo de Invencível utiliza consequências emocionais, dilemas morais e relações complexas como base, mas a campanha sufoca esses temas. Em certos pontos, o jogo revela o seu potencial ao explorar versões alternativas dos personagens. No entanto, a narrativa raramente aprofunda tais caminhos, mantendo-os em um patamar superficial.
O formato da apresentação lembra um episódio interativo da série animada, o que ajuda a contextualizar a duração curta, mas reforça a sensação de experiência incompleta. Para fãs do universo, a campanha funciona como complemento. Para quem busca uma história mais estruturada, ficará aquém das expectativas. O enredo não é fraco — tem boas ideias e respeita o material de origem —, mas chega apenas como o primeiro capítulo de algo que ainda precisa ser entregue.
Um ponto de partida promissor que ainda precisa crescer
Invincible VS entrega o que promete como jogo de luta: combate fluido, acessível, com ritmo acelerado e mecânicas que funcionam bem tanto para partidas casuais quanto para um cenário mais competitivo. A fundação está bem construída. As limitações aparecem na diversidade do elenco e na campanha apressada. Dois aspectos que, juntos, impedem que o título atinja todo o potencial que o universo de Invencível poderia oferecer.
Para fãs de jogos de luta e da série, a recomendação vale — desde que a experiência seja encarada sabendo que há espaço claro para crescimento. Se futuras atualizações expandirem a variedade de estilos de combate e a narrativa encontrar espaço para se desenvolver, Invincible VS tem tudo para se firmar como um dos favoritos da comunidade.
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