Atualizações nas diretrizes de saúde cardiovascular definem que a pressão arterial 12 por 8, antes vista como normal, agora é considerada estágio de pré-hipertensão. O anúncio ocorreu durante o 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia, na última quinta-feira, 18, e traz mudanças que impactam na prevenção e no tratamento da doença.
O novo documento, elaborado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e pela Sociedade Brasileira de Hipertensão, orienta os profissionais a intensificarem o monitoramento já nos estágios iniciais. O foco é modificar hábitos e, se necessário, introduzir medicamentos, conforme o risco individual do paciente.
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Essas recomendações acompanham tendências internacionais recentes, como as apresentadas no Congresso Europeu de Cardiologia, em 2024, em que a pressão 12 por 8 passou a ser vista como elevada. No Brasil, a principal mudança está na meta de tratamento para hipertensos, que agora deve ficar abaixo de 13 por 8 para todos os perfis de pacientes.
Os especialistas que participaram da elaboração das novas normas destacam que reduzir o limite pressórico é essencial para diminuir complicações, que incluem infarto, AVC e insuficiência renal. Nos casos em que o paciente não tolera reduções expressivas, o alvo deve ser o menor valor seguro possível.
Outro avanço é a inclusão do cálculo de risco cardiovascular global, com uso do escore Prevent, que estima a probabilidade de eventos cardíacos em dez anos. O cálculo leva em conta fatores como obesidade, diabetes, colesterol elevado e lesões em órgãos vitais.
Médicos são orientados a adotar estratégias mais rigorosas para pacientes que apresentam risco elevado, seguindo uma abordagem que se aproxima da medicina personalizada. O relatório também dedica um capítulo ao Sistema Único de Saúde (SUS), reconhecendo que cerca de 75% dos hipertensos dependem da rede pública.

Adequações do tratamento de hipertensão para o SUS
As orientações para o SUS buscam adaptar os protocolos à realidade do sistema, priorizando medicamentos disponíveis e incentivando o acompanhamento multiprofissional, além do monitoramento com os protocolos Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial e Monitorização Residencial da Pressão Arteria sempre que possível. O objetivo é facilitar o trabalho de equipes da atenção primária e reduzir desigualdades regionais.
O documento traz ainda, pela primeira vez, recomendações específicas para a saúde das mulheres. Entre elas, está o monitoramento da pressão antes e durante o uso de anticoncepcionais, além de cuidados diferenciados em gestantes e mulheres no período da menopausa ou pós-menopausa.
Para gestantes, a diretriz orienta a priorização de medicamentos como metildopa ou certos bloqueadores de canais de cálcio. Já mulheres com histórico de hipertensão gestacional devem manter acompanhamento prolongado, devido ao risco aumentado de doenças cardiovasculares no futuro.

Entre as recomendações práticas, destacam-se a adoção de hábitos saudáveis, como perda de peso, prática regular de atividade física e dieta no padrão Abordagens Alimentares para Parar a Hipertensão — rica em frutas, vegetais, grãos integrais e laticínios com baixo teor de gordura e que limita sal, gorduras saturadas e açúcares adicionados. O tratamento medicamentoso deve começar, na maioria dos casos, com combinação de dois fármacos em dose baixa, preferencialmente em um único comprimido.
A meta de manter a pressão abaixo de 13 por 8 também se aplica a pessoas com diabetes, obesidade, insuficiência renal, doença arterial coronariana e depois de AVC. Dados da Sociedade Brasileira de Hipertensão revelam que 27,9% dos adultos no país convivem com a doença, mas só um terço tem valores controlados.
Com reclassificação dos limites, metas mais restritivas e diretrizes adaptadas ao SUS e a diferentes perfis de pacientes, o número de brasileiros sob risco pode crescer. O desafio é incorporar as orientações à rotina dos serviços públicos e privados de saúde em todo o país.
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