O Banco de Brasília (BRB) comunicou ao mercado nesta segunda-feira, 9, a renúncia de seu diretor jurídico, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. O executivo deixará a função oficialmente no sábado 14. A saída ocorre em um momento de crise institucional profunda no organismo pública, que enfrenta investigações da Polícia Federal por causa de seu envolvimento com o Banco Master.
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Melo assumiu o cargo em dezembro passado, mas já integrava a governança do banco como membro do Comitê de Auditoria. O BRB não detalhou os motivos da saída nem anunciou um substituto imediato. O banco limitou-se a reafirmar, em fato relevante, seu compromisso com a transparência e a responsabilidade.
O elo do BRB com o Banco Master
A crise de credibilidade do Banco de Brasília se agravou depois da liquidação extrajudicial do Banco Master, de Daniel Vorcaro, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Investigações revelam que o BRB investiu bilhões de reais na aquisição de carteiras de crédito do Master. As apurações mostraram que o banco de Vorcaro comprou esses ativos por menos da metade do preço e recebeu o pagamento à vista do BRB, sem sequer ter quitado os créditos anteriormente.
Em setembro passado, o Banco Central barrou uma tentativa do BRB de comprar o próprio Banco Master. As transações suspeitas causaram prejuízos bilionários e desgaste institucional, afetando inclusive fundos de pensão de diversos Estados brasileiros que possuíam recursos aplicados. Para tentar conter os danos e garantir a solvência, o BRB apresentou um plano de capital que pode exigir um aporte mínimo de R$ 5 bilhões.
No mesmo dia em que anunciou a renúncia do diretor jurídico, o Banco de Brasília deu posse a Ana Paula Teixeira como diretora-executiva de Controles e Riscos. Com passagem pela vice-presidência do Banco do Brasil, a executiva assume o posto com a missão de fortalecer a integridade institucional e a cibersegurança da autarquia.
A posse de Teixeira faz parte da estratégia do banco para tentar recuperar a confiança do mercado e dos acionistas diante do novo inquérito da Polícia Federal. Os investigadores buscam agora identificar se houve conivência ou omissão da diretoria jurídica e de controles internos durante as negociações bilionárias com o grupo de Daniel Vorcaro.
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