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Economia

Escala 6x1 é sintoma, a doença é outra

Discussão sobre a jornada de trabalho ignora os fatores que realmente determinam salários mais altos e prosperidade

'Quando um terço da economia está alocado num ente que não precisa ser produtivo para sobreviver, o resultado é um retorno medíocre sobre um volume enorme de capital', escreve Henrique Trevisan | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem gerada com o auxílio de inteligência artificial
'Quando um terço da economia está alocado num ente que não precisa ser produtivo para sobreviver, o resultado é um retorno medíocre sobre um volume enorme de capital', escreve Henrique Trevisan | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem gerada com o auxílio de inteligência artificial

A pauta da escala 6×1 é politicamente perfeita: é tangível e emocional, e o trabalhador sente no corpo, toda semana, sem precisar de gráfico para entender. Para fins eleitoreiros, então, é impecável. O problema é que ela não tem nada a ver com o que de fato determina o padrão de vida do brasileiro.

Salário real não sobe por decreto nem por redução de jornada. Sobe por produtividade. E produtividade não nasce do descanso, mas, sim, de capital, tecnologia, qualificação e um ambiente institucional que não puna quem investe. Mas, infelizmente, nenhum desses fatores está sendo discutido com a mesma energia que a 6×1.

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Para entender por que a produtividade brasileira fica abaixo dos patamares internacionais, basta fazer um exercício de raciocínio simples: o Brasil tem carga tributária de 33% do PIB, ou seja, um terço de toda a riqueza gerada no país é compulsoriamente alocado no Estado. Em tese, esse capital deveria ser investido em infraestrutura, educação, saúde e segurança, isto é, em bens públicos que aumentam a produtividade de toda a economia. O problema é que o Estado brasileiro é um agente de baixíssima produtividade, que opera sem os incentivos que forçam a eficiência no setor privado.

O problema da escala 6×1

Quando um terço da economia está alocado num ente que não precisa ser produtivo para sobreviver, o resultado é um retorno medíocre sobre um volume enorme de capital. E o capital que sobra — os outros dois terços — ainda precisa operar num ambiente de juros estruturalmente altos, decorrentes do desequilíbrio fiscal crônico, e sob insegurança jurídica e instabilidade regulatória persistentes. Não é um ambiente que convida o investimento, muito pelo contrário.

Por mais que os problemas do Brasil sejam notórios há muito tempo, o governo ainda insiste em simplificar a economia e buscar maneiras superficiais de melhorar seu desempenho. A 6×1 é mais um exemplo disso, somando-se às já muitas medidas que engessam e encarecem o mercado de trabalho brasileiro. O que o governo ainda não entendeu é que a economia, como sempre, vai encontrar o caminho de menor resistência. Quando o custo de contratar formalmente sobe além do que o negócio suporta, o empregador não fecha — ele migra para o informal.

Em um país onde 40% da força de trabalho já está na informalidade, aumentar esse custo é o caminho mais curto para excluir ainda mais gente do sistema que se pretende proteger. O trabalhador brasileiro merece mais do que um dia a menos de trabalho por semana. Merece juros que não sufoquem o investimento, educação que abra portas de verdade e um Estado que entregue em proporção ao que cobra. Esse é o debate que o país precisa ter. A 6×1 é sintoma. A doença é outra.

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Henrique Torrescasana Trevisan é economista, sócio da Bateleur e associado do Instituto de Estudos Empresariais (IEE)

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