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Economia

Mercado volta a projetar alta da inflação no Brasil

As estimativas do Boletim Focus continuam acima do centro das metas

Mercado Inflação
Os valores divulgados demonstram que a meta estipulada para a inflação poderá ser cumprida | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A expectativa para a inflação deste ano teve leve oscilação para cima no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 4. A projeção para 2023 passou de 4,53% para 4,54%. Um mês antes, a mediana era de 4,63%. Para 2024, foco da política monetária, a projeção também oscilou de 3,91% para 3,92%. Há um mês, era de 3,91%.

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Considerando as 47 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana para 2023 passou de 4,54% para 4,56%. Para 2024, por sua vez, a projeção de alta passou de 3,92% para 3,91%, considerando 46 atualizações no período.

Para 2025, que tem peso crescente nas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), a projeção continuou em 3,50% pela 19ª semana consecutiva — o que evidencia a reancoragem apenas parcial destacada pelo Banco Central (BC) depois da manutenção da meta de inflação em 3% para os próximos anos. No horizonte mais longo, de 2026, a estimativa também seguiu em 3,50%, pela 22ª semana seguida.

As estimativas do Boletim Focus continuam acima do centro das metas para a inflação. Para 2023, a mediana está abaixo do teto da meta (4,75%), evitando o estouro do objetivo a ser perseguido pelo BC pelo terceiro ano consecutivo, depois de 2021 e 2022. Nos outros anos, as expectativas estão dentro do intervalo e também superam o alvo central de 3,0%.

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No Copom de novembro, o BC divulgou projeção de 3,6% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2024, acima dos 3,5% da reunião anterior. Para 2025, subiu de 3,1% para 3,2% no modelo. Para 2023, a projeção do IPCA foi atualizada de 5,0% para 4,7%. O colegiado reduziu a Selic, taxa básica de juros, pela terceira vez consecutiva em 0,5 ponto percentual, para 12,25% ao ano.

Curto prazo

Copom Banco Central
A instituição abordou tópicos pertinentes ao cenário econômico no 5º artigo de sua Ata, como taxa de juros, taxa de câmbio e inflação | Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

Os economistas mantiveram parte das expectativas de inflação de curto prazo no Boletim Focus desta segunda-feira. A mediana para novembro oscilou de 0,28% para 0,29%. Há um mês, a expectativa era de 0,30%.

Para o IPCA de dezembro, a estimativa se manteve em 0,46%, de 0,50% um mês antes. Já para janeiro de 2024, a previsão para o indicador seguiu em 0,42%, mesmo nível de quatro semanas atrás.

Inflação nos próximos 12 meses

black friday movimentar neste ano
Pesquisa da Abecs revelou que quase metade dos entrevistados pretende comprar na ocasião | Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

Os economistas do mercado financeiro alteraram no Boletim Focus desta semana a expectativa para a inflação suavizada para os próximos 12 meses de 3,91% para 3,92%, de 3,94% há um mês. Essa medida ganha importância no contexto de meta de inflação contínua a ser perseguida pelo BC, em substituição a de ano calendário.

Leia também: “Banco Central da Turquia aumenta a taxa de juros para 40% ao ano”

No fim de junho, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou ao Conselho Monetário Nacional CMN que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai editar decreto para estabelecer uma meta contínua de inflação a partir de 2025, em substituição à atual meta calendário. No dia 20 de outubro, Haddad confirmou que não há previsão para publicar o decreto que regulamenta a meta de inflação contínua.

“Até aqui, não (há previsão de publicar o decreto). Consultas estão sendo feitas pela Secretaria de Política Econômica da Fazenda”, disse o ministro, em São Paulo. “Mas nós temos tempo, e provavelmente até o final do ano nós vamos ter notícias.”

O secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, já disse ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) que a SPE já terminou a pesquisa sobre as experiências internacionais, mas que ainda não houve apresentação para o restante da equipe econômica nem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável por editar o decreto.

Na avaliação do diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, uma maior autonomia requer maior prestação de contas, mas que a autoridade monetária não antecipa nenhuma mudança na política monetária em função da introdução da meta contínua.


Revista Oeste, com informações da Agência Estado

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