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Autor de reportagem sobre Dino relata busca da PF em sua casa

Jornalista afirma que apurou vídeo que envolve veículo oficial ligado ao ministro e diz ter enviado pedidos de esclarecimento antes da publicação

Luís Pablo
Luís Pablo, jornalista alvo de busca pessoal pela PF | Foto: Reprodução/YouTube/Revista Oeste

Em entrevista ao Oeste com Elas nesta segunda-feira, 16, o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida comentou a repercussão de sua reportagem relacionada ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A matéria deu origem a uma ação da Polícia Federal (PF) que teve como alvo sua residência no Maranhão.

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Segundo o jornalista, a investigação que resultou na reportagem começou depois que ele recebeu um vídeo enviado por uma fonte. Conforme seu relato, as imagens mostram a mulher do magistrado acompanhada do filho do casal dentro de um veículo em uma associação em São Luís (MA).

“Durante a apuração, constatei que o veículo era do Tribunal de Justiça”, disse Luís Pablo. “Antes da reportagem, eu fiz o trabalho normal de qualquer jornalista: encaminhei e-mails pedindo esclarecimentos tanto a Flávio Dino quanto ao Tribunal de Justiça.”

Luís Pablo afirmou que não tentou contato direto com o ministro do STF por meios pessoais nem realizou nenhum tipo de intimidação. “Em momento algum enviei mensagem para o número pessoal dele ou o abordei em qualquer lugar que pudesse configurar crime de perseguição”, alegou. Depois das tentativas de contato, ele decidiu publicar a reportagem.

Luís Pablo afirma que Dino dispõe de duas SW4 no Maranhão

Luís Pablo também comentou a existência de mais de um carro vinculado a Dino no Maranhão. O jornalista ressaltou que, ao todo, existem duas caminhonetes Toyota SW4 associadas ao magistrado no Estado.

“Ao todo, são duas SW4: uma vinculada ao Tribunal de Justiça e outra ao governo do Maranhão”, informou. “Ambas têm despesas de combustível cobertas por convênio.”

Por fim, ele explicou a operação da PF realizada em sua casa. Segundo o jornalista, a ação chamou atenção por incluir um mandado de busca pessoal.

“Quando a PF entrou aqui, confesso que fiquei sem entender essa questão da busca pessoal”, alegou Luís Pablo. “Particularmente, nunca vi um mandado assim. Já vi mandados apenas de busca e apreensão e, geralmente, quando eles querem levar algo que não é da pessoa que é alvo da investigação, levam com a justificativa de que precisam examinar os aparelhos de todos que estão ao redor.”

PF cumpriu mandado por ordem de Moraes

Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, agentes da PF cumpriram, na terça-feira 10, um mandado de busca pessoal contra Luís Pablo. O processo tramita sob segredo de Justiça.

Na decisão, Moraes afirma que a PF identificou indícios de que o jornalista seria suspeito de perseguição. Segundo o ministro, ele teria utilizado “algum mecanismo estatal para a identificação e caracterização dos veículos empregados”, o que teria provocado a exposição indevida de informações relacionadas à segurança de autoridades.

A decisão de Moraes foi alvo de críticas da seccional no Maranhão da Ordem dos Advogados do Brasil. Associações ligadas ao jornalismo também criticaram a medida imposta contra Luís Pablo.

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