O Supremo Tribunal Federal (STF) começou, na última semana, o julgamento da constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet. O texto estabelece salvaguardas essenciais ao debate público no ambiente digital, mas está sob ameaça. Apenas o ministro André Mendonça teve um parecer devidamente razoável, afirma o jornal O Estado de S. Paulo em editorial publicado no último sábado, 7
O artigo 19 do Marco Civil estabelece que as plataformas digitais só podem ser responsabilizadas por conteúdos ilícitos publicados por usuários caso descumpram uma ordem judicial de remoção. Assim, o modelo impede tanto a censura privada quanto a impunidade.
Receba nossas atualizações
+ Leia mais notícias da Imprensa em Oeste
Ao condicionar a responsabilização à deliberação judicial, diz o Estadão, a legislação garante que o poder de censura fique nas mãos do Estado de Direito, e não de algoritmos ou burocratas corporativos. Entretanto, os votos dos ministros Dias Toffoli e Luiz Fux “rasgam a letra e o espírito” do texto, ao proporem a responsabilização imediata das plataformas sempre que notificadas por usuários.

Remoção sumária de conteúdos, responsabilização automática das plataformas e punição sem mediação judicial são as práticas sugeridas por Toffoli e Fux. Nelas, aponta o editorial, emerge um novo modelo de censura, em que empresas privadas, sob risco de sanção, devem decidir o que é verdadeiro ou aceitável.
Contra essas tendências alarmantes se ergueu o voto de André Mendonça. “Com um raciocínio jurídico robusto, o ministro reafirmou a liberdade de expressão como pilar do Estado Democrático de Direito e rejeitou o ativismo judicial disfarçado de proteção institucional”, diz o jornal.
O parecer de Mendonça responsabiliza o Congresso por deliberar sobre o regime legal da internet, determina não ser papel do STF reescrever a lei à luz de circunstâncias políticas ou ansiedades sociais, e avalia o artigo 19 como não só constitucional, mas também eficaz para equilibrar direitos fundamentais e liberdade de expressão.
🚨O voto de Mendonça não é pró-Big Techs. É pró-Constituição.
— Andre Marsiglia (@marsiglia_andre) June 6, 2025
Nada na CF diz em favor dos demais votos, o texto constitucional prevê responsabilização de quem fala e após decisão judicial.
Exatamente o mecanismo do Marco Civil e do voto de Mendonça pic.twitter.com/oP0ZaqR0mL
“O contraste é gritante”, falou o Estadão. Enquanto Toffoli e Fux propõem um “retrocesso perturbador, que terceiriza a censura e multiplica riscos de abuso”, Mendonça preserva a arquitetura institucional construída depois de anos de deliberação e ampla consulta pública. “Ele reconhece que a liberdade de expressão só é plena quando protegida contra o arbítrio estatal e o privado.”
Apesar do voto de Mendonça, STF deve decidir contra o artigo 19
Toffoli atribui às plataformas obrigações vagas e ilimitadas, propõe a criação de uma instância estatal de vigilância permanente e sugere uma lista previamente definida de remoções obrigatórias de conteúdo, sem previsão legal que as justifique. Já Fux propõe um atropelo ao devido processo legal: as redes deveriam, primeiro, remover o conteúdo notificado e, só depois, recorrer à Justiça para restabelecê-lo.

O voto de Luís Roberto Barroso, “embora menos desatinado que os anteriores, também enfraquece a exigência de ordem judicial”, avalia o Estadão. O ministro quer permitir remoções baseadas em notificações em casos que vão além dos crimes contra a honra. Apesar de parecer moderado, o voto é “conceitualmente inconsistente, normativamente inseguro e operacionalmente perigoso”.
“Ao estabelecer padrões vagos como ‘falhas sistêmicas’ e atribuir às plataformas uma responsabilidade difusa pelo ambiente digital, Barroso inaugura um regime de incerteza que, embora menos desastroso que o de Toffoli, ainda compromete a liberdade de expressão e incentiva a remoção preventiva”, segundo o editorial.
Mendonça diverge. Em seu voto, o ministro destaca que as plataformas já moderam bilhões de publicações com base em seus termos de uso, alertou para os riscos de transformar a liberdade de expressão em concessão condicional e foi firme ao declarar a inconstitucionalidade da exclusão de perfis inteiros – salvo quando falsos ou criminosos – como censura prévia.
em minutos, já vi dois jornais falando que o voto do mendonça a favor do artigo 19 do marco civil está alinhado com as big tecs, quando está ainhado com jurisprudência sobre liberdade de expressão.
— lygia maria (@lygia_maria) June 5, 2025
aí criticam a imprensa e a imprensa fica toda "ain, porque a democracia…": pic.twitter.com/v8b3VWK1Gx
“O voto de Mendonça não é só tecnicamente impecável”, mas um alerta institucional e uma reafirmação da separação dos Poderes, avalia o Estadão. “Em tempos de histeria regulatória, é bom saber que ainda resta, na mais alta Corte, quem compreenda que a liberdade de expressão é o primeiro e último bastião das sociedades livres.”
De todo modo, o mais provável é que a Corte estabeleça a inconstitucionalidade do artigo 19. Dessa forma, a expectativa do jornal é que o voto de Mendonça ao menos influencie os ministros a conterem danos, com critérios objetivos e limites claros.
“Ainda assim, será uma derrota para a democracia brasileira”, conclui o jornal. “Uma vez aberta a porta da censura difusa, será difícil fechá-la.”
Mendonça exalta liberdade de expressão e vota para manter artigo do Marco Civil da Internet
‘Censura disfarçada de zelo institucional’, diz Gazeta do Povo sobre Marco Civil da Internet
Ministros do STF brincam depois de tablet de Mendonça falhar no julgamento das redes
Que irônico isso.. acordaram agora… quem tem um neurônio já sabia desde 2019 isso.
Apoiaram o consorcio desse governo podre desde o início !
Agora que a merda pegou preço estão preocupados….
Por que a matéria do Estadão importa tanto para Oeste ?
Eu não entendo !
Duvido que Motta e Alcolumbre, com rabos presos no STF, contrariem quem lhes lhes aprisiona. Daqui pra frente, a PERSEGUIÇÃO à Direita, que já insana, aumentará. O empresário Luciano Hang, com enorme potencial para eleger-se Senador por Santa Catarina, ficou inelegível por oito anos, em decisão do TSE. Nas Eleições de 2026 Candidatos a Senador e Deputado Federal, cargos que podem tocar impeachments de Ministros do STF e Presidente da República, serão perseguidos e tornados inelegíveis se disserem que o céu é azul, que a verdade liberta, que Lula é o que é, que o STF é o Manda-Chuva do Brasil, que a Constituição é aviltada por quem deveria defendê-la e até julgaram fazê-lo.
Parabéns ao ministro André Mendonça, esse está seguindo a constituição que jurou defender.