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Gilmar invocou 'excesso de prazo' para barrar CPI, mas defende inquérito sem limite

Gazeta do Povo denuncia contradição do ministro do STF em mudança de tom sobre duração de investigações

gilmar mendes - stf
O ministro Gilmar Mendes, atual decano do Supremo Tribunal Federal, durante sessão plenária da Corte — 23/2026 | Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes utilizou o argumento de excesso de duração de investigações para negar a prorrogação da CPI do Crime Organizado no Senado, mas, dias depois, passou a defender a continuidade por tempo indeterminado do Inquérito das Fake News na Corte. A contradição foi destaque em editorial do jornal Gazeta do Povo publicado neste domingo, 3.

Ao barrar a extensão da CPI, que funcionou por seis meses e tinha pedido de prorrogação por mais quatro — conforme previsão regimental —, Gilmar afirmou que “não é raro que entre nós, aqui [] tranquemos os inquéritos eternos, as investigações que acabam se alongando no tempo”. Ele disse ainda que “as prorrogações indevidas ou sem critério não rimam com a ideia do devido processo legal”.

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A justificativa, no entanto, contrasta com declarações recentes do próprio ministro sobre o Inquérito das Fake News, aberto no STF em 2019 e que completou sete anos em março. Em entrevistas recenties, Gilmar defendeu a ideia de que a apuração permaneça ativa. Questionado no Jornal da Globo, afirmou que o inquérito “vai acabar quando terminar” e que o tribunal deveria “mantê-lo pelo menos até as eleições”.

Alexandre de Moraes é relator no inquérito das fake news | Foto: Gustavo Moreno/STF - rumble
Alexandre de Moraes é o relator do Inquérito das Fake News no Supremo Tribunal Federal | Foto: Gustavo Moreno/STF

“É evidente que Gilmar não defenderia justamente agora o fim do inquérito no qual ele quer ver investigado o seu mais novo desafeto”, afirma o jornal. “Mas essa sinceridade tão característica de quem tem a certeza de poder fazer o que bem entende sem ser cobrado confirma (de novo) que o Inquérito das Fake News de fato não passa de uma ferramenta de autoproteção do Supremo e intimidação de seus críticos.”

O editorial sustenta que o inquérito é um exemplo de investigação prolongada sem critérios objetivos. “Se há algo que merece os adjetivos ‘indevido’ e ‘sem critério’, é o Inquérito das Fake News”, afirma o texto, ao lembrar que o procedimento foi instaurado de ofício pelo STF, sem provocação do Ministério Público.

A Gazeta destaca como a investigação, inicialmente voltada a apurar ameaças à Corte, foi esticada ao longo dos anos. O inquérito “já serviu para censurar críticos da Corte e veículos de comunicação”, além de alcançar fatos sem relação direta com o Supremo, como o cartão de vacinação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ministros do STF Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes | Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Ministros do STF Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes | Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Gilmar incluiu Zema no Inquérito das Fake News

As declarações recentes de Gilmar Mendes ocorrem no contexto de ameaças ao ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, que teve seu nome incluído no inquérito depois da divulgação de vídeos satíricos nas redes sociais. Para o jornal, a defesa da continuidade da investigação nesse momento reforça a percepção de uso estratégico do instrumento.

“Se há algo que merece os adjetivos “indevido” e “sem critério”, é o Inquérito das Fake News”, diz o texto. A Gazeta descreve a investigação como um “juízo universal” no qual “cabe absolutamente tudo”, cuja manutenção indefinida permitiria ao STF ampliar seu raio de atuação sobre temas políticos e eleitorais.

Por fim, o jornal relaciona o cenário a recentes pressões sobre a Corte, que incluem descobertas sobre a relação de ministros com escândalo do Banco Master e decisões que impactaram investigações no Congresso. “Se depender do decano do STF”, conclui o texto, o Inquérito das Fake News “permanecerá aberto enquanto houver gente a calar”.

1 comentário
  1. Paulo Roberto Taveira
    Paulo Roberto Taveira

    Dois pesos e duas medidas sempre. Ser advogado nestes dias deve estar muito difícil. A insegurança jurídica campeia e o q vale é a capa do processo onde fica o nome do litigante.

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