publicidade
Imprensa

Jornais criticam 'ofensiva' do STF contra servidores da Receita

Gazeta do Povo e Estadão apontam irregularidades processuais e desvio de finalidade em investigação

Ministros Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, no STF, em sessão realizada em 11/02/2025 | Foto: Antonio Augusto/STF
Ministros Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, no STF, em sessão realizada em 11/02/2025 | Foto: Antonio Augusto/STF

Os principais jornais do país reagiram com críticas severas à operação da Polícia Federal que mirou servidores da Receita Federal por supostos vazamentos de dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em editoriais publicados nesta quinta-feira, 19, a Gazeta do Povo e O Estado de S. Paulo convergem na análise de que a Corte utiliza instrumentos excepcionais para intimidar críticos e blindar magistrados logo que revelações constrangedoras sobre o Banco Master vieram a público. Para as publicações, a condução do inquérito atropela o devido processo legal e a competência jurisdicional.

+ Leia mais notícias de Imprensa em Oeste

Receba nossas atualizações

A Gazeta do Povo classifica a medida como uma “suprema caça às bruxas”. O jornal paranaense destaca que a operação ocorreu no rastro das notícias sobre a sociedade de Dias Toffoli em uma empresa familiar e o contrato milionário do escritório da esposa de Alexandre de Moraes com o Banco Master. Segundo o editorial, as informações que desgastaram os ministros não partiram de sigilo fiscal, mas de outras fontes investigativas, como o celular do banqueiro Daniel Vorcaro. A publicação acusa Moraes de usar o “inquérito das fake news” como um curinga para perseguir quem apura irregularidades.

Atropelo de ritos e falta de foro privilegiado

Já o Estadão enfatiza que, embora a violação de sigilo fiscal seja crime, a forma como o STF conduz a investigação aprofunda a crise de legitimidade da Corte. O editorial do Estadão revela que a apuração nasceu por decisão de ofício de Alexandre de Moraes, em um sistema em que a iniciativa deveria caber ao Ministério Público. Além disso, o jornal ressalta que os investigados são servidores sem prerrogativa de foro, o que tornaria o Supremo incompetente para julgar o caso na origem.

Outro ponto de crítica comum é a condição de parcialidade dos julgadores. O Estadão afirma que Moraes atua simultaneamente como investigador, juiz e vítima, uma vez que a suposta violação atinge sua própria esfera familiar. A nota da Corte, que mencionou “posterior vazamento” antes mesmo da conclusão das quebras de sigilo telemático, foi vista pelo jornal paulista como uma antecipação punitiva. Ministros ouvidos reservadamente também demonstraram desconforto e argumentaram que pedidos de rastreamento dessa magnitude deveriam partir apenas da presidência do tribunal.

Estado policialesco e corrosão do STF

A Gazeta do Povo associa a confusão entre os papéis de vítima e juiz aos métodos de “Estados policialescos”, em que autoridades são blindadas e denunciantes acabam transformados em alvos. O editorial sustenta que a blindagem corporativista nega o Estado de Direito e tenta sufocar a liberdade de informação. Para a Gazeta, o STF age com hipocrisia ao decretar sigilo para combater vazamentos, enquanto o próprio tribunal se encarregou de divulgar os nomes dos servidores investigados à imprensa.

O Estadão conclui que a insistência em medidas de exceção corrói o capital institucional do Judiciário. O jornal ressalta que, quando a forma do Direito é ignorada, a busca não é por justiça, mas por vingança. A resistência dos ministros a um código de conduta, somada à percepção pública de contemporização com conflitos de interesses, mantém o Supremo Tribunal Federal em um desgaste reputacional crescente. Os textos revelam que a autoridade da Corte só se sustenta pela fidelidade aos limites impostos pela Constituição, e não por decisões de força.

Leia também: “Dias Toffoli pode seguir julgando o caso do Banco Master”

Leia mais sobre:

2 comentários
  1. Marcos Antônio de Carvalho
    Marcos Antônio de Carvalho

    O procedimento correto seria, inicialmente, a instauração, na própria Receita federal, de inquérito administrativo disciplinar, assegurada a ampla defesa.

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade