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Negar gravidade da crise fiscal é inadmissível, diz O Globo

Brasil tem segundo pior rombo nas contas públicas entre 23 países emergentes e desenvolvidos

O presidente Lula da Silva durante a posse do ministro da fazenda, Fernando Haddad, no início de 2023: Brasil é um dos retardatários no ranking de eficácia governamental, segundo o Banco Mundial | Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula da Silva durante a posse do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no início de 2023: Brasil é um dos retardatários no ranking de eficácia governamental, segundo o Banco Mundial | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Num grupo de 23 economias emergentes e desenvolvidas, o Brasil aparece com o segundo pior resultado fiscal.

No levantamento que considera receitas, gastos e também despesas com os juros da dívida, apenas a Bolívia tem desempenho pior, segundo análise do banco BTG Pactual. Esse foi o quadro registrado nos dois últimos anos e deve se repetir em 2025, como destaca o jornal O Globo em editorial desta quinta-feira, 16.

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Segundo a publicação, a previsão para os próximos 12 meses é que os bolivianos vão continuar em primeiro lugar no ranking dos piores, mas devem conseguir reduzir o tamanho do déficit. Por aqui, o cenário é de elevação.

Há metodologias diferentes para determinar o quadro fiscal de um país. A que determina a trajetória da dívida pública é justamente a que leva em conta o pagamento de juros. Quanto maior o rombo a cada ano, mais alto o endividamento. É essa a métrica acompanhada pelos investidores. Deveria ser também o principal ponto de atenção do governo federal e dos congressistas.

“Tentativas de ilusionismo ou negação não mudaram nem nunca mudarão a realidade”, afirma o jornal. “O desempenho brasileiro é ruim sob qualquer ângulo. O resultado é pior que a média dos emergentes, dos desenvolvidos e da América Latina.”

A previsão do BTG Pactual para este ano é de um déficit de 8,6% do Produto Interno Bruto (PIB). No México, Colômbia, Peru e Chile, o porcentual deve ser inferior a 4%.

Confirmada a manutenção do rombo das contas públicas e da despesa com juros da dívida, diz O Globo, o endividamento em relação ao PIB vai crescer 14 pontos porcentuais ao longo do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Para um país com uma dívida alta como o Brasil, o cenário é um tremendo problema”, avalia o jornal. “Por isso a insegurança no mercado financeiro e as altas repetidas do dólar. Insinuar que as esquinas da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, estão cheias de especuladores trabalhando contra o país é terraplanismo econômico.”

Leia também: Estadão: Lula declara guerra às big techs para ‘salvar a humanidade'”

Haddad faz cálculo fiscal sem incluir juros da dívida

Na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, antecipou que o governo deve ter fechado 2024 com um déficit de 0,1% do PIB. O cálculo do ministro usa metodologia que não inclui as despesas com os juros da dívida.

Na análise do resultado fiscal, a Fazenda também retira fatores extraordinários. Eventos como os gastos com as enchentes do Rio Grande do Sul não são considerados.

“O esforço pode ser válido, mas o incrível é que, com todas essas ressalvas, o governo não conseguiu equilibrar as contas”, afirma a publicação. “O percentual antecipado por Haddad se encaixa nas regras fiscais somente porque há uma tolerância de déficit de até 0,25% do PIB.”

Brasil tem segundo pior rombo nas contas públicas entre 23 países emergentes e desenvolvidos | Foto: Ricardo Stuckert/PR
Brasil tem segundo pior rombo nas contas públicas entre 23 países emergentes e desenvolvidos | Foto: Ricardo Stuckert/PR

A comemoração desse resultado dá a medida do baixo nível da discussão fiscal no Brasil. O endividamento, é bom não esquecer, continua subindo. A se confirmarem as últimas projeções da Instituição Fiscal Independente (IFI), criada para ampliar a transparência das contas públicas e ligada ao Senado Federal, a dívida chegará a 86% do PIB no ano que vem, 91% em 2027, mais de 100% em 2030 e 116% em 2034, o horizonte das estimativas.

Quanto mais elevada, maior o custo de rolagem. Neste ano os gastos com juros devem passar de R$ 1 trilhão.

“Diante de tantas evidências, negar a gravidade da crise fiscal é inadmissível”, conclui O Globo. “É hora de medidas à altura dos desafios. O ajuste deve ser amplo para ter efeito. Governo e Congresso devem sanar essa dívida com o país.”

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2 comentários
  1. Marcelo Gurgel
    Marcelo Gurgel

    Não adianta fiscalizar ou aumentar os impostos, esse desgoverno tem que cortar na sua carne e diminuir os privilégios.

  2. Adail da Costa Leite Filho
    Adail da Costa Leite Filho

    Somente beneficiados por bolsa família, o poder judiciário, narcotraficantes, terroristas, petistas e urnas eletrônicas acreditam nesse desgoverno. Todos olhando e aplaudindo o naufrágio econômico e fiscal do pais. O poste vai cair!

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