publicidade
Imprensa

The New York Times: prisão de Bolsonaro pode ‘agravar a maior crise diplomática das últimas décadas’

Governo norte-americano condena decisão do STF, que ameaça impactar negociações entre Brasil e EUA

bolsonaro indulto stf eleições 2026
Na semana anterior, Trump impôs tarifas de 50% a uma série de produtos brasileiros | Foto: Fellipe Sampaio/STF | Foto: Antonio Augusto/STF

O governo dos Estados Unidos criticou duramente a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. A medida, tomada na segunda-feira 4, incluiu ainda o confisco do celular do ex-presidente e novas restrições à sua comunicação.

A repercussão acendeu o alerta em Brasília. O Departamento de Estado norte-americano, por meio do Bureau de Assuntos do Hemisfério Ocidental, publicou uma nota incisiva no X: “Deixem Bolsonaro falar!”.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Imprensa em Oeste

Segundo o órgão, Moraes estaria usando “as instituições do Brasil para silenciar a oposição e ameaçar a democracia”.

O jornal The New York Times (NYT) divulgou as informações. O veículo norte-americano classifica o episódio como a mais grave crise diplomática entre os dois países nas últimas décadas.

A reportagem destaca que os desdobramentos judiciais que envolvem Bolsonaro ocorrem no mesmo momento em que os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump negociam um acordo comercial sensível.

Na semana anterior, Trump impôs tarifas de 50% a uma série de produtos brasileiros, antecipando o anúncio em dois dias. O gesto foi interpretado como resposta direta à ofensiva do STF contra o ex-presidente brasileiro.

Lula deixou claro que Trump não deveria interferir nos processos judiciais do país. Segundo apurou o jornal norte-americano, o pestista vinha tentando manter o foco nas negociações comerciais.

Decisões contra Bolsonaro complicam negociações com os EUA

Fontes ouvidas pelo NYT afirmam que o governo brasileiro tentava retirar produtos, como café, da lista de itens tarifados.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tinha encontro agendado com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. A prisão domiciliar de Bolsonaro, porém, pode travar o diálogo. Thomas Traumann, ex-secretário de imprensa de Dilma Rousseff, declarou ao veículo que as decisões de Moraes dificultam qualquer tentativa de avanço diplomático.

“Alexandre de Moraes e Lula não são a mesma pessoa”, disse Traumann. “É algo importante para os Estados Unidos entenderem.”

Jair Bolsonaro, de 70 anos, está prestes a ser julgado por acusações de suposta tentativa de golpe depois da derrota nas eleições de 2022. Segundo procuradores, ele teria liderado uma conspiração para se manter na Presidência e delegar poderes especiais aos militares.

No mês passado, o STF obrigou Bolsonaro a usar tornozeleira eletrônica, evitar redes sociais e permanecer em casa durante boa parte do dia.

Moraes endureceu as medidas depois de vídeos mostrarem quando o ex-presidente envia mensagens a apoiadores durante ato no Rio de Janeiro, por meio do celular de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

+ Leia também: “Transparência Internacional: ‘Prisão de Bolsonaro é frágil'”

Em contrapartida, Trump classifica as investigações contra Bolsonaro como “caça às bruxas” e exige o fim das acusações. As tarifas aplicadas ao Brasil são as mais altas impostas a qualquer país neste ano — mesmo com os EUA mantendo superávit comercial com o Brasil há mais de dez anos.

Embora tenham excluído produtos, como suco de laranja e aviões, as tarifas atingem setores estratégicos. O café, por exemplo, representa 30% das importações norte-americanas na categoria.

Ministro do STF vira alvo internacional

Moraes se tornou personagem central do embate. O NYT destaca que o ministro já havia gerado polêmica ao bloquear contas em redes sociais e prender usuários por supostas ameaças on-line.

Em alguns processos, o magistrado acumulou as funções de juiz e acusador, o que gerou preocupação sobre garantias legais. Agora, ele passou a ser alvo de sanções econômicas por parte do governo dos EUA.

Mesmo assim, tanto Moraes quanto Lula prometeram não ceder a pressões externas. Nesta terça-feira, 5, por exemplo, o petista endureceu o discurso. Durante evento em Brasília, disse que não pretende conversar com Trump e que levará o caso à Organização Mundial do Comércio.

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade