O grupo armado liderado por Yasser Abu Shabab controla uma área em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, sob domínio militar israelense desde maio de 2024. As Forças de Defesa de Israel (FDI) tomaram a cidade na operação que encerrou o controle do Hamas sobre a região.
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Desde então, Rafah passou a abrigar centenas de milhares de deslocados internos, tornou-se ponto central de rotas de ajuda humanitária e área marcada por escassez de alimentos, saques e enfrentamentos de milícias locais.
O clã de Abu Shabab afirma oferecer escola, atendimento médico e eletricidade a deslocados palestinos. Em agosto de 2025, o Center for Peace Communications (CPC) divulgou imagens de uma aula realizada em uma escola montada pelo grupo, com seis salas e estudantes do infantil ao 7° ano.
Reportagem do The Times of Israel confirmou a existência da estrutura, que incluiria também um posto médico e serviços básicos para aproximadamente 5 mil pessoas. A entrada no local, segundo o jornal, é feita sob coordenação com as FDI, que não comentaram oficialmente.
O papel de Abu Shabab ganhou destaque depois de 5 de junho de 2025, quando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu admitiu pela primeira vez que Israel apoia clãs palestinos contrários ao Hamas.
Segundo a Associated Press, autoridades israelenses definiram o grupo de Abu Shabab como exemplo dessa política. No mesmo período, veículos israelenses relataram o fornecimento de armas a milícias em Rafah.
Shabab, de origem beduína, combate o Hamas, como líder de seu grupo, e afirma que coopera com a Autoridade Palestina. Mas não com Israel, ressalta. Ele diz que fornece ajuda alimentar aos moradores de Gaza e é procurado pela facção terrorista que governa a região por traição e outros crimes.
“Meu clã está espalhado por uma área que se estende do Negev ao Sinai”, afirma Shabab, em sua primeira entrevista a um veículo de mídia israelense, a Kan, em julho. “Somos uma grande família, e todos me apoiam e apoiam minhas ações.”
Paralelamente, documentos das Nações Unidas descrevem Abu Shabab como figura central em saques sistemáticos a comboios de ajuda, inclusive em áreas sob controle israelense.
Esses relatórios revelam a atuação de suas forças em trechos da Estrada Salah al-Din, rota principal de abastecimento no enclave. A análise independente da Forensic Architecture publicada em agosto de 2025 confirmou a presença da milícia nesses locais.
O próprio Abu Shabab, como dito, nega cooperação com Israel. Em declarações à imprensa palestina e israelense, afirmou agir por motivos humanitários e rejeitou a condição de representante de qualquer governo.
Em contraste, um vídeo divulgado pela emissora pública Kan mostra alguém identificado como ele que reconhece coordenação com as forças israelenses, fato contestado por familiares.
Ele ressalta que quer o retorno para casa de todos os reféns israelenses e que os combates acabem. “Todos os inocentes, de todos os lados, devem ter permissão para retornar para casa”, disse ele. “O povo de Gaza pagou um preço insuportável por um grupo terrorista insano, e não vamos abandonar a Faixa. Lutaremos contra o Hamas até o último deles.”
Líder critica guerra entre Israel e Hamas
Nesse cenário, Shabab se apresenta como opositor do Hamas, enquanto sua relação com Israel continua sendo alvo de disputa entre relatos oficiais, investigações jornalísticas e denúncias de organismos internacionais.
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Mas uma coisa ele tem em comum com Israel. Pelo menos no discurso, diz combater o terrorismo.
“Não nos chamem de milícia”, contesta. “Somos grupos que combatem o terrorismo na Faixa de Gaza”, disse ele com um sorriso.
O Hamas quer prendê-lo a qualquer custo. “Eles me chamam de criminoso, ladrão, membro do Estado Islâmico, tudo para assustar as pessoas e impedir que entrem em contato comigo”, garante Shabab.
“Mas isso não funcionou. Qualquer um que sequestra e mata crianças, como a família Bibas, não tem o direito de definir nem julgar os outros. São pessoas subumanas, vis e desprezíveis, e seu fim está próximo.”
Histórias como esta nos ajudam a ter uma perspectiva da alta complexidade da região e da busca pela paz (possível?)!