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Ataques informáticos, bombardeios cirúrgico e a 'opção Maduro': como Trump poderia atacar o Irã

Protestos de iranianos na frente do consulado em Milão, na Itália | Foto: REUTERS/Claudia Greco TPX IMAGES OF THE DAY
Protestos de iranianos na frente do consulado em Milão, na Itália | Foto: REUTERS/Claudia Greco TPX IMAGES OF THE DAY

“A ajuda está a caminho”, escreveu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em suas redes sociais, incitando os jovens iranianos a não parar os protestos que há dias estão acontecendo no Irã.

Perfil do presidente dos EUA, Donald Trump, na frente de uma bandeira do Irã | Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo
Perfil do presidente dos EUA, Donald Trump, na frente de uma bandeira do Irã | Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo

“Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que o massacre sem sentido de manifestantes pare. Miga!!! (Make Iran Great Again)”, escreveu Trump na plataforma Truth.

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Saiba mais: Trump convoca manifestantes a ‘assumirem o controle’ do Irã

O magnata deverá se reunir novamente hoje com a equipe do Departamento da Guerra para revisar todos os planos em discussão com o Secretário Pete Hegseth, o Chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, e o Secretário de Estado, Marco Rubio.

Saiba mais: Líder supremo do Irã provoca Trump em postagem nas redes sociais

De acordo com fontes entrevistadas pelo Wall Street Journal, o leque de possíveis respostas é muito amplo e inclui a intensificação da guerra psicológica (talvez com o envio de dispositivos Starlink ao país), ataques cibernéticos contra as forças armadas, novas sanções contra Teerã e seus aliados e uma ação militar.

Possível operação militar

Há dias que se especula, principalmente no meio militar, sobre uma possível incursão no Irã nos mesmos moldes de quanto ocorreu na Venezuela.

Mas, alertam especialistas, o cenário seria diferente e muito mais complexo. Um ex-funcionário do Departamento de Estado, entrevistado pelo Financial Times, explicou que a República Islâmica representa um contexto muito mais difícil do que o país caribenho, e que a realização de operações militares e não militares para resgatar manifestantes é repleta de incertezas e riscos.

Ao longo da última semana, intensas discussões ocorreram entre a Casa Branca e o Pentágono. Como noticiou o New York Times, as opções em discussão no Salão Oval estão se multiplicando.

A primeira questão que o presidente enfrenta é a intensidade da resposta. Ou seja, qual a profundidade e o alcance do ataque. Deveria ser um ataque de “advertência” ou algo mais intenso, impactante o suficiente para provocar uma mudança definitiva em um regime enfraquecido por semanas de protestos?

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Uma abordagem inicial poderia combinar ataques informáticos com incursões direcionadas ao aparato de segurança interna do Irã, que está na linha de frente da repressão aos protestos.

Uma etapa posterior poderia envolver a infraestrutura das Forças Armadas iranianas e da Guarda Revolucionária, particularmente os centros de comando e controle, depósitos de armas e bases utilizadas pelas forças governamentais.

Ao identificar os centros de comando a serem alvejados, os EUA deveriam considerar como incentivar deserções entre as forças de segurança para enfraquecer o aparato que reprime os protestos.

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Uma resposta mais enérgica também teria como alvo líderes importantes do sistema de poder iraniano.

Trump já atacou lideranças do Irã no passado

Ainda durante seu primeiro mandato, Trump havia autorizado o ataque que matou o comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, Qassem Soleimani, e nos últimos meses alertou o Líder Supremo do país, Ali Khamenei, de que estava pronto para atacá-lo a qualquer momento.

Um ataque tão intenso poderia desencadear uma resposta militar iraniana, razão pela qual os alvos americanos poderiam incluir silos de mísseis balísticos e até mesmo instalações do programa nuclear, já danificadas em junho do ano passado.

O equilíbrio de poder é crucial para evitar sufocar os protestos. Vários funcionários da Casa Branca temem que uma intervenção excessivamente enérgica possa alimentar a narrativa do regime, que retrata os manifestantes como “terroristas” a soldo de potências estrangeiras, particularmente os Estados Unidos e Israel.

Em junho, durante os 12 dias de guerra entre Teerã e Tel Aviv, apesar de sua impopularidade, o regime angariou amplo apoio popular contra os bombardeios em solo iraniano.

O sucesso da Operação Resolução Absoluta, que levou à deposição de Maduro, convenceu muitos nos corredores do Pentágono e do Departamento de Estado de que se trata de uma técnica replicável e que poderia ser eficaz mesmo em um contexto como o do regime iraniano.

O senador da Carolina do Sul, Lindsey Graham, admitiu que esse deveria ser o objetivo final da ação americana, mas, como enfatizam autoridades mais cautelosas, o contexto iraniano é diferente.

O primeiro problema também está relacionado à presença militar americana na região. Ao longo do último ano, os Estados Unidos reduziram o número de navios destacados entre o Golfo Pérsico e o Mediterrâneo, principalmente para fortalecer sua presença no Caribe e no Pacífico.

Além disso, em comparação com a Venezuela, o Irã também enfrenta um problema geográfico. Enquanto a capacidade de Caracas de realizar ataques retaliatórios era muito limitada, no caso do Irã, a resposta poderia envolver diversos recursos americanos espalhados pelo Oriente Médio.

Por ora, os Estados Unidos não deslocaram forças militares para a região em preparação para um possível ataque militar.

O destacamento serviria não apenas para conduzir o ataque, mas também para preparar uma defesa adequada para toda a infraestrutura e pessoal militar estacionado no Oriente Médio.

Todavia, não passou despercebida a movimentação de aeronaves americanas, como os bombardeiros B-52 e os aviões-tanque KC-135, para o Reino Unido, embora ainda não haja confirmação definitiva. Israel também poderia estar envolvido nesse cenário, contribuindo com parte de sua força aérea para o potencial ataque.

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