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Avanço da direita enfraquece Foro de São Paulo e leva membros a contestar eleições

Vitórias sucessivas de governos conservadores na América Latina reduzem apoio institucional ao grupo

Logo do Foro de São Paulo, movimento de esquerda que parabenizou Nicolás Maduro pela vitória na eleição da Venezuela
Logo do Foro de São Paulo, movimento de esquerda da América Latina e Caribe | Foto: Reprodução/Site

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O avanço da direita nas eleições da América Latina tem enfraquecido o Foro de São Paulo, levando seus integrantes a recorrer a manifestações e contestação de resultados eleitorais, com episódios de violência. Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro não reconheceu a vitória do direitista Abelardo de la Espriella e convocou protestos para 20 de outubro. Na Bolívia, apoiadores de Evo Morales protestaram contra o governo de Rodrigo Paz, resultando em desabastecimento e estado de emergência.

O avanço da direita em eleições na América Latina tem provocado o enfraquecimento do Foro de São Paulo. Com menos governos aliados no poder, integrantes do grupo têm recorrido a manifestações de rua e à contestação de resultados eleitorais. Em alguns casos, a reação incluiu episódios de violência.

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Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro, cuja coalizão Pacto Histórico é ligada ao Foro de São Paulo, não reconheceu a vitória do direitista Abelardo de la Espriella nas eleições deste ano. Petro convocou manifestações para o próximo dia 20. Espriella suspendeu o processo de transição e acusou o mandatário de tentar orquestrar um “golpe de Estado”. O presidente eleito também fez um apelo às Forças Armadas para protegerem a democracia.

Na Bolívia, apoiadores do ex-presidente Evo Morales — também vinculado ao Foro de São Paulo — participaram de protestos contra o governo do presidente Rodrigo Paz, eleito no fim do ano passado. Os atos ocorreram entre maio e junho e incluíram o uso de dinamite. Um cerco a La Paz resultou no desabastecimento da capital.

Morales, que é investigado por abuso sexual contra uma menor, refugiou-se na região de Chapare e incentivou as manifestações. Em entrevistas, o ex-presidente convocou uma insurreição popular contra o que classificou como governo “neoliberal” e “neocolonial”. Paz decretou estado de emergência e determinou a liberação das estradas bloqueadas, o que fez os manifestantes recuarem temporariamente.

Contestação de resultados por setores ligados ao Foro de São Paulo

O analista internacional Cezar Roedel, doutor em Filosofia pela PUCRS e mestre em Relações Internacionais pela UFRGS, avalia que os episódios na Bolívia e na Colômbia seguem um padrão identificável. Segundo ele, há elementos que ligam Morales e o Movimento ao Socialismo (MAS) às mobilizações.

“O próprio governo de Rodrigo Paz atribui a Evo Morales a articulação por trás dos bloqueios. A base que sustentou as manifestações, formada por cocaleiros do Chapare e organizações como os ‘Ponchos Vermelhos’, é justamente o núcleo político que Evo construiu ao longo de décadas”, afirmou Roedel ao jornal Gazeta do Povo. “A crise não teve cara de fenômeno espontâneo. Teve endereço partidário bem definido, e esse endereço é o do MAS.”

Roedel afirma que os episódios recentes em diferentes países apontam um comportamento recorrente de parte da esquerda latino-americana quando perde espaço institucional ou sofre derrotas eleitorais.

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“Vejo um padrão claro, com intensidades diferentes. Na Venezuela e na Nicarágua a resposta é o enrijecimento autoritário puro. Na Bolívia e no Peru, onde a esquerda já não está no poder, o padrão migra para contestação de resultados e pressão de rua”, diz. “O fio condutor é a dificuldade de aceitar a alternância democrática quando o resultado não favorece esses setores.”

“Há um enfraquecimento estrutural real, mas seria ingênuo decretar o fim do Foro. A esquerda latino-americana tem histórico de reinvenção discursiva e sabe se adaptar a novos ciclos eleitorais”, explica. “Ainda assim, o desgaste é visível: menos recursos, menos coesão ideológica e uma nova geração de eleitores que não se identifica mais com a retórica antiamericana e estatizante do passado.”

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*Com informações do jornal Gazeta do Povo

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