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O avanço da direita nas eleições da América Latina tem enfraquecido o Foro de São Paulo, levando seus integrantes a recorrer a manifestações e contestação de resultados eleitorais, com episódios de violência. Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro não reconheceu a vitória do direitista Abelardo de la Espriella e convocou protestos para 20 de outubro. Na Bolívia, apoiadores de Evo Morales protestaram contra o governo de Rodrigo Paz, resultando em desabastecimento e estado de emergência.
O avanço da direita em eleições na América Latina tem provocado o enfraquecimento do Foro de São Paulo. Com menos governos aliados no poder, integrantes do grupo têm recorrido a manifestações de rua e à contestação de resultados eleitorais. Em alguns casos, a reação incluiu episódios de violência.
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Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro, cuja coalizão Pacto Histórico é ligada ao Foro de São Paulo, não reconheceu a vitória do direitista Abelardo de la Espriella nas eleições deste ano. Petro convocou manifestações para o próximo dia 20. Espriella suspendeu o processo de transição e acusou o mandatário de tentar orquestrar um “golpe de Estado”. O presidente eleito também fez um apelo às Forças Armadas para protegerem a democracia.
Na Bolívia, apoiadores do ex-presidente Evo Morales — também vinculado ao Foro de São Paulo — participaram de protestos contra o governo do presidente Rodrigo Paz, eleito no fim do ano passado. Os atos ocorreram entre maio e junho e incluíram o uso de dinamite. Um cerco a La Paz resultou no desabastecimento da capital.
Morales, que é investigado por abuso sexual contra uma menor, refugiou-se na região de Chapare e incentivou as manifestações. Em entrevistas, o ex-presidente convocou uma insurreição popular contra o que classificou como governo “neoliberal” e “neocolonial”. Paz decretou estado de emergência e determinou a liberação das estradas bloqueadas, o que fez os manifestantes recuarem temporariamente.
Contestação de resultados por setores ligados ao Foro de São Paulo
O analista internacional Cezar Roedel, doutor em Filosofia pela PUCRS e mestre em Relações Internacionais pela UFRGS, avalia que os episódios na Bolívia e na Colômbia seguem um padrão identificável. Segundo ele, há elementos que ligam Morales e o Movimento ao Socialismo (MAS) às mobilizações.
“O próprio governo de Rodrigo Paz atribui a Evo Morales a articulação por trás dos bloqueios. A base que sustentou as manifestações, formada por cocaleiros do Chapare e organizações como os ‘Ponchos Vermelhos’, é justamente o núcleo político que Evo construiu ao longo de décadas”, afirmou Roedel ao jornal Gazeta do Povo. “A crise não teve cara de fenômeno espontâneo. Teve endereço partidário bem definido, e esse endereço é o do MAS.”
Roedel afirma que os episódios recentes em diferentes países apontam um comportamento recorrente de parte da esquerda latino-americana quando perde espaço institucional ou sofre derrotas eleitorais.
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“Vejo um padrão claro, com intensidades diferentes. Na Venezuela e na Nicarágua a resposta é o enrijecimento autoritário puro. Na Bolívia e no Peru, onde a esquerda já não está no poder, o padrão migra para contestação de resultados e pressão de rua”, diz. “O fio condutor é a dificuldade de aceitar a alternância democrática quando o resultado não favorece esses setores.”
“Há um enfraquecimento estrutural real, mas seria ingênuo decretar o fim do Foro. A esquerda latino-americana tem histórico de reinvenção discursiva e sabe se adaptar a novos ciclos eleitorais”, explica. “Ainda assim, o desgaste é visível: menos recursos, menos coesão ideológica e uma nova geração de eleitores que não se identifica mais com a retórica antiamericana e estatizante do passado.”
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*Com informações do jornal Gazeta do Povo
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