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Cientistas descobrem evidências de 'cola sintética' pré-histórica

Os pesquisadores afirmam que a substância sintética havia sido fabricada 100 mil anos antes do surgimento do Homo Sapiens

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Os neandertais viviam em cavernas na pré-história. Foto de Vincent Foret na Unsplash | Reprodução

De acordo com recente estudo divulgado por cientistas da Universidade de Tübingen e do Museu Estadual de Pré-história na Alemanha, a primeira substância sintética já fabricada na Terra pode não ter sido produzida pela nossa própria espécie. Segundo nova teoria, a substância foi fabricada por um “parente próximo” há cerca de 200 mil anos.

Os pesquisadores alemães tiveram a colaboração de cientistas da Universidade de Estrasburgo, na França. As equipes conduziram uma análise química complexa em artefatos neandertais feitos com alcatrão de bétula (uma espécie de “cola” natural), concluindo que a forma como o material foi extraído da natureza não havia sido acidental.

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O alcatrão de bétula é uma gosma preta altamente pegajosa usada nos tempos antigos por suas propriedades adesivas, repelentes à água e até antimicrobianas. Os primeiros habitantes da Europa usaram o material a fim de “colar” ferramentas quebradas.

A substância pode ser extraída da casca de bétula por meio do calor; no entanto, os cientistas discordam se os neandertais produziam o alcatrão propositalmente ou se a cola era simplesmente o resultado de uma fogueira convencional.

Duas teorias

Os pesquisadores dividem-se em dois grupos: aqueles que defendem a teoria de que os neandertais simplesmente raspavam o alcatrão preto das rochas ao redor das fogueiras, depois da queima da casca de bétula; e aqueles que afirmam que o material pegajoso e resistente à água havia sido cuidadosamente elaborado em um forno subterrâneo.

A sintetização das substâncias úteis a partir de matérias-primas é comumente considerada uma atividade que singulariza a inteligência humana de outras espécies animais. O estudo argumenta, com base na análise de dois pedaços de alcatrão de bétula encontrados em um sítio arqueológico na Alemanha, que o “alcatrão pode documentar tecnologia avançada, planejamento futuro e capacidade cultural dos neandertais”.

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Os dois pedaços de alcatrão de bétula (a) e os cinco métodos (bf) testados para extrair alcatrão de bétula. Imagem/Archaeological and Anthropological Sciences | Divulgação

Havia, segundo os pesquisadores, cinco métodos para a queima da casca de bétula: dois acima do solo, e três que envolviam uma espécie de forno subterrâneo. A casca de bétula queimada acima do solo permitia que o alcatrão se condensasse no topo das pedras ao ar livre ou um uma cúpula de gravetos. Já os métodos subterrâneos implicavam essencialmente em enterrar a casca de bétula enrolada sob o fogo.

Os cientistas concluíram que o alcatrão do Neandertal não é o fortuito “resultado de processos não intencionais em incêndios ao ar livre”, mas sim uma complexa técnica subterrânea cuidadosamente planejada — porque não poderia ser monitorada depois de enterrada. Se os neandertais de fato produziram alcatrão há 200 mil anos, isso supera as evidências de que o Homo Sapiens produzisse a mesma substância há 100 mil anos.

O artigo completo foi publicado no periódico científico Archaeological and Anthropological Sciences.

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