Com mais de três anos de mortes e sem prazo para acabar, a invasão russa à Ucrânia expõe um alinhamento bélico perigoso para o mundo — o de Rússia, China e Coreia do Norte. São três nações que comungam de uma mesma fronteira e da visão de mundo autoritária de seus líderes. O apoio mútuo ultrapassa o suprimento de armas — há relatos de que chineses e norte-coreanos estariam exportando até mesmo soldados para o conflito.
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A China nega ter enviado soldados para o conflito. Porém, Volodimir Zelensky, presidente da Ucrânia, afirma que seu país capturou soldados chineses nos campos de batalha. Quanto à Coreia do Norte, a conta é da exportação em massa de milhares.
Os envios de pelotões norte-coreanos, apenas em 2025, já somam milhares de soldados. As autoridades ucranianas estimam a baixa de, pelo menos, 4 mil soldados norte-coreanos, entre mortos e feridos desde o início do conflito.
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Além disso, a ditadura da Coreia do Norte fornece mísseis, armas e munições. É um negócio bem mais do que lucrativo, segundo o tenente-general Kyrylo Budanov, chefe da Inteligência de Defesa da Ucrânia.
“O futuro exército norte-coreano será drasticamente diferente do que foi no passado”, afirmou Budanov. De acordo com o general, a cooperação militar entre Rússia e Coreia do Norte atingiu o nível mais alto da história. “É uma séria ameaça à comunidade internacional”, alertou.
Uma Coreia para a Ucrânia
Na opinião do general, os sul-coreanos e ucranianos deveriam colaborar entre si. De acordo com o militar, a troca seria benéfica para ambos, pois agora há um inimigo em comum: a Coreia do Norte.

“A Coreia do Sul possui décadas de dados de inteligência sobre a Coreia do Norte, que seriam extremamente valiosos para nós. Enquanto isso, a Ucrânia está adquirindo experiência de combate em primeira mão no campo de batalha. Compartilhar essa experiência e inteligência seria mutuamente benéfico.”
A disputa entre as Coreias
Uma linha imaginária divide o território coreano em duas nações: as Coreias do Sul e do Norte. A criação dessa fronteira remete à Guerra Fria: a disputa global entre Rússia e Estados Unidos pela hegemonia do planeta.
A divisa é o paralelo 38, fronteira criada com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Russos e norte-americanos venceram o conflito e dividiram o mundo em zonas de influência — e as duas Coreias estão entre os reflexos dessa partilha.
O Norte passou a ser governado por uma ditadura comunista com o apoio da União Soviética — bloco de repúblicas que formavam um mesmo país sob o comando da Rússia. Assim nasceu a Coreia do Norte. Desde então, o mesmo partido e a mesma família controlam a população do país. É o Partido dos Trabalhadores da Coreia, fundado por Kim Il-sung, primeiro ditador e presidente do país até hoje, mesmo depois de morrer em 1994.
Depois da morte, o ditador ganhou o título de “presidente eterno” — ato determinado pela constituição. Na prática, porém, seu filho Kim Jong-il passou a exercer o poder com mãos de ferro até morrer, em 2011. Novamente, o poder passou de pai para filho. O herdeiro é Kim Jong-un, o ditador coreano ainda no comando.
Os anos da ditadura familiar conduziram a população local a viver em privação, tanto de liberdade quanto de itens básicos, como alimentos. Durante a década de 1990, por exemplo, uma grande fome levou à morte entre 600 mil e 1 milhão de habitantes.
Enquanto isso, ao sul do paralelo 38, teve início um governo pró-EUA. No começo, o país era uma ditadura, mas o regime autoritário deu lugar a uma democracia próspera, com um dos melhores padrões de vida do mundo para sua população.






































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