Cuba comprova que Socialismo é repressão

Pelo crime de discordar do governo, até crianças têm sido presas e se intensificaram as prisões sem julgamento
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Protestos em Cuba
Protestos em Cuba

Zoe Martínez*

Depois de mais de sessenta anos de regime comunista, multidões de cubanos manifestaram nas ruas, gritando “abaixo a ditadura”, seu cansaço com a ausência de liberdade, a falta de competência e o excesso de repressão política. A reação do ditador Miguel Mario Díaz-Canel Bermúdez foi convocar os partidários do governo para reiterar publicamente, com a ajuda da polícia, que estão satisfeitos.

Resultado previsível: dezenas de presos e desaparecidos. Embora enfrentem desarmados um adversário que dispõe de uma razoável força militar graças ao financiamento da antiga União Soviética, jovens, adultos e idosos não desistiram dos atos de protestos decorrentes de uma conjunção de aflições: fome, apagões diários, colapso da saúde, deterioração hospitalar e revogação dos direitos humanos.

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Teimosamente, a esquerda tenta defender o indefensável e finge não ver a realidade escancarada. Como diz a filósofa russa Ayn Rand, “pode-se ignorar a realidade, mas é impossível ignorar as consequências de ignorar a realidade”. As pessoas podem ignorar o que está acontecendo em Cuba, mas as consequências estão aí. Pelo crime de discordar do governo, até crianças têm sido presas e se intensificaram as prisões sem julgamento.

Os protestos tomaram o regime de surpresa e o governo levou alguns dias para se organizar. Cortaram a luz e o acesso à internet – um luxo restrito a uma pequena parcela de cubanos, que consegue se conectar graças a familiares e amigos que moram no exterior e colocam créditos em seus celulares.

Como os veículos de comunicação são dominados pela ditadura, todas as notícias passam por um filtro antes de serem publicadas. Agora, por exemplo, divulgam que as ruas foram ocupadas por um bando financiado pelo imperialismo yanke, que quer acabar com a revolução. Afirmaram que só aconteceu um dia de protestos, que o governo respeitou os manifestantes, não violou nenhum direito, que o regime é democrático, não prende nem mata opositores.

Uma semana depois das revoltas, a ditadura decidiu vender um kit sobrevivência para acalmar o povo. Ele custa 500 pesos cubanos (cerca de 20 dólares) e é composto por meia caixa de coxa de frango (procedência: Kentucky, Estados Unidos), dois pacotes de salsicha, um desodorante Rexona, um creme dental e uma garrafa de óleo. Um professor de matemática aposentado, entretanto, recebe cerca de trezentos pesos cubanos por mês.

Aqueles que podem comprar o kit precisam enfrentar filas quilométricas de mais de 3 dias de duração. Um ponto importante é que apenas um kit pode ser adquirido por caderneta de racionamento. Ou seja, se alguém vive com dez pessoas, terá um kit para dividir entre todos – e não será nem um por mês, mas um único “presente”. Em julho, como não haviam recebido o pedaço de frango mensal a que têm direito, os cubanos estavam desesperados por proteína.

O socialismo limita ao povo o acesso à comida para que ele esteja sempre com fome e não consiga pensar em mais nada a não ser o que fazer para colocar comida na mesa. Com fome ninguém consegue pensar e não pensar é bom para a ditadura.

O futuro de Cuba é uma incógnita. Só um racha na cúpula do governo ou uma intervenção externa poderá salvar a ilha do pesadelo socialista. São décadas de um regime nefasto, gerações doutrinadas, manipulação da mídia, desarmamento e decadência econômica. Serão necessários muitos e muitos anos para o país se reerguer. E se algum dia Cuba conseguir se livrar do socialismo, será difícil alcançar o resto do mundo. São 62 anos de retrocesso e alienação.

*Zoe Martínez é estudante de Direito, comentarista e ativista anticomunista. Nascida em Cuba, saiu do país com a família aos 12 anos.

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