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Entenda a polêmica que levou a China a rejeitar Messi

Fato de astro argentino não ter entrado em campo em jogo de sua equipe, o Inter Miami, em Hong Kong ofendeu as autoridades chinesas

Messi
Atitude de Messi soou ofensiva para as autoridades chinesas | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Dois amistosos que a seleção da Argentina de futebol realizaria em março nas cidades chinesas de Pequim e de Hangzhou foram cancelados por autoridades da China. Elas se ofenderam pelo fato de o astro argentino não ter entrado em campo em partida de sua equipe, o Inter Miami, em Hong Kong, no dia 4 de fevereiro.

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O primeiro jogo dos argentinos, com Messi, seria contra a Nigéria, vice-campeã africana, no dia 18 de março em Hangzhou. No dia 26, a atual seleção campeã mundial enfrentaria a campeã africana, Costa do Marfim, em Pequim, cidade com um significado importantíssimo no sistema político do país.

A associação de futebol da capital chinesa fez o anúncio um dia depois de autoridades de Hangzhou cancelarem a partida que seria realizada na cidade.

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“Pequim não planeja, no momento, organizar a partida em que Lionel Messi participará”, disse a Associação de Futebol de Pequim em comunicado à imprensa local, de acordo com a ESPN.

“Por razões conhecidas por todos, aprendemos com as autoridades supervisoras que as condições são imaturas para o jogo prosseguir”, anunciou o Instituto Desportivo de Hangzhou nas suas redes sociais oficiais. “Agora foi decidido que o jogo será cancelado.”

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Já editorial do jornal Global Times afirmou que a polêmica iniciada pela ausência de Messi “excedeu, em muito, o domínio do esporte”.

Isto porque, três dias depois do jogo em Hong Kong, Messi, que alegou contusão para não atuar, jogou pelo time norte-americano contra o Vissel Kobe, no Japão.

A atitude de Messi soou, na visão das autoridades, como uma crítica ao modelo de “um país, dois sistemas”, implementado em Hong Kong desde sua reincorporação à China, em 1997. Até então, a cidade era colônia do Império Britânico, desde o fim da Guerra do Ópio (1839-1842).

A região se desenvolveu com autonomia, voltada para um capitalismo com mínima intervenção do Estado. Tornou-se um dos principais centros financeiros internacionais, com economia baseada em impostos baixos e livre comércio.

Mas, mesmo com poderes administrativos próprios, passou a ser comandado pelo governo central da China, marcado pelo autoritarismo do Partido Comunista da China (PCC).

Desta maneira, em 2020, a Assembleia Popular Nacional da China promulgou uma rígida Lei de Segurança Nacional em Hong Kong, conforme os princípios de “um país, dois sistemas”.

“O documento visa prevenir e punir a ação de elementos radicais em atividades de violência, terrorismo ou separatismo, e conta com o apoio de quase 3 milhões cidadãos de Hong Kong”, afirmou a Assembleia, que elogiou a própria lei. “A implementação dessa lei restaurou, gradualmente, a ordem social e cerca de 80% da população local considera sua cidade mais segura e estável.”

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Para o órgão legislativo chinês, também vinculado ao PCC, esse processo mostra que “um país, dois sistemas” é um conceito abrangente, em que “um país” é a premissa para os “dois sistemas” e os “dois sistemas” precisam funcionar dentro de “um país”.

A situação, no entanto, é vista pelo Ocidente como uma ampliação da ditadura chinesa para as fronteiras de Hong Kong.

Em 2019, Hong Kong enfrentou uma onda de manifestações fortemente reprimidas pelo governo chinês. Os protestos tiveram início em junho, contra um projeto de lei, apresentado em abril, que permitiria a extradição de suspeitos de crimes para a China continental sob certas circunstâncias.

Os críticos diziam que a população ficaria exposta a julgamentos injustos e tratamento violento, assim como ativistas e jornalistas. As manifestações resultaram na Lei de Segurança Nacional de 2020.

Messi não se manifestou a respeito, mas o Inter de Miami se viu na obrigação de pedir desculpas pelo fato de o craque não ter atuado no jogo.

Caso Messi joga luz sobre o grande mercado consumidor na China

Hong Kong
Hong Kong vive sob o lema “um país, dois sistemas” | Foto: Wikimedia Commons

Enquanto há controvérsias entre os governos dos Estados Unidos e da China, em relação à importação de tecnologia 5G, os chineses têm se tornado um dos principais mercados consumidores dos esportes norte-americanos.

Na National Basketball Association (NBA), por exemplo, dirigentes norte-americanos expandiram a organização para outros países, seja com jogos na Europa ou até mesmo com lojas na Ásia, principalmente na China.

O gigante asiático representa cerca de 30% dos assinantes virtuais do NBA Pass, segundo texto da Playmaker Brasil. O NBA Pass é um aplicativo oficial da liga que possibilita ao assinante assistir todos os jogos do campeonato, via streaming, no celular, tablet ou computador, entre outros.

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A própria Major League Soccer (MLS), liga de futebol dos Estados Unidos, onde atua o Inter Miami, encontrou no mercado chinês uma fonte de negócios. Além do grande número de consumidores, a entidade norte-americana fechou contrato em 2020 com a plataforma chinesa TikTok, para ter uma página exclusiva.

Nos três primeiros anos, a página no TikTok, rendeu à MLS 1,2 milhão de seguidores, mais de 256 milhões de visualizações de vídeos e 2,7 bilhões de visualizações com a hashtag da liga, segundo a Máquina do Esporte.

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1 comentário
  1. renato neves
    renato neves

    Messi mesmo calado fala mais que centenas de “lacradores”

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