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EUA traçam estratégias para neutralizar Cuba

Washington avalia intervenção humanitária, ação coercitiva limitada, ruptura interna do regime ou negociações diplomáticas

Trump observa o Salão Oval, na Casa Branca, em Washington, DC, EUA - 30/1/2026 | Foto: Kevin Lamarque/Reuters
Trump observa o Salão Oval, na Casa Branca, em Washington, DC, EUA - 30/1/2026 | Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Cuba virou tema prioritário no segundo mandato de Donald Trump. Desde que voltou à Presidência dos EUA, o republicano apresentou acusações contra integrantes da ditadura cubana e impôs mais sanções contra autoridades, empresas estatais do setor de petróleo e organizações ligadas às Forças Armadas.

O governo norte-americano também reforçou operações militares e de Inteligência no Caribe. Como parte desse esforço, o comandante do Comando Sul, general Francis Donovan, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, realizaram visitas à Base Naval de Guantánamo

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Washington avalia que Cuba representa um risco direto aos interesses dos EUA. O secretário de Estado, Marco Rubio, cita a crise humanitária na ilha, a presença de instalações de Inteligência de países adversários, supostas ligações com organizações terroristas e o avanço da capacidade cubana de operar drones como fatores que configuram ameaças à segurança nacional.

Nesse contexto, quatro cenários ganham força: intervenção humanitária, ação coercitiva limitada, ruptura interna do regime ou negociações.

O presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Reprodução/X
O presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Reprodução/X

Intervenção humanitária em Cuba

Hoje, o maior desafio enfrentado por Cuba é a crise provocada pela falta de combustível, apagões frequentes, infraestrutura precária, dificuldades no sistema de saúde e crescente escassez de alimentos.

Com a perspectiva de agravamento dessas condições e a possibilidade de eventos climáticos extremos durante o verão, Washington poderia justificar uma atuação voltada à assistência humanitária, sem assumir oficialmente o objetivo de promover uma mudança de regime.

Esse cenário dependeria de uma crise de grandes proporções, capaz de comprometer a capacidade de resposta do governo cubano. Entre os fatores que poderiam desencadear essa situação estão apagões nacionais prolongados, agravamento da crise sanitária, desabastecimento ou manifestações generalizadas.

Nesse caso, os EUA tenderiam a coordenar ações com organismos internacionais, entidades religiosas e organizações não governamentais para fornecer ajuda médica e humanitária, enquanto as Forças Armadas norte-americanas dariam suporte logístico, de transporte, comunicação e segurança.

Embora essa alternativa possa aliviar o sofrimento da população e reduzir a pressão migratória sem exigir uma intervenção militar convencional, também apresenta riscos. Havana poderia denunciar a iniciativa norte-americana como violação de sua soberania, o que estimularia reações “nacionalistas” e dificultaria a cooperação internacional.

Ação limitada

O segundo cenário prevê uma ação coercitiva direcionada, por meio de operações militares ou policiais de alcance limitado. O objetivo seria aumentar os custos para a liderança cubana, atingir estruturas consideradas estratégicas e modificar os cálculos do regime, sem recorrer à ocupação de território ou a uma invasão convencional.

A recente acusação formal contra Raúl Castro e outros integrantes da cúpula cubana criou uma base jurídica que poderia ser utilizada para justificar operações semelhantes às realizadas contra o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Nesse contexto, Washington poderia tentar prender autoridades indiciadas ou realizar ataques pontuais contra instalações de Inteligência, segurança e infraestrutura militar classificadas como ameaças à segurança nacional norte-americana.

Possível ruptura interna

Uma terceira possibilidade é que o aumento da pressão externa provoque divisões dentro do próprio regime. Nesse caso, a estratégia norte-americana não seria provocar um colapso imediato, mas enfraquecer gradualmente a unidade das elites políticas e militares por meio de sanções, pressão econômica, diplomacia pública, diálogo com a sociedade civil e manutenção da possibilidade de novas medidas coercitivas.

Sempre que Havana promove libertações de presos, modifica políticas internas ou aceita dialogar com Washington, surgem riscos de divergências entre setores que defendem a manutenção do modelo atual.

Essas disputas podem ganhar intensidade durante uma futura sucessão política. Raúl Castro, hoje com 95 anos, continua sendo uma figura central, e sua eventual ausência poderá alterar o equilíbrio de poder dentro do Partido Comunista, das Forças Armadas e dos serviços de segurança.

O quarto cenário considera a possibilidade de uma nova rodada de negociações entre Havana e Washington. Ao longo da história, o regime cubano aceitou dialogar em momentos nos quais isso favorecia sua sobrevivência política. Ainda assim, experiências anteriores sugerem que nem mesmo uma pressão intensa garante concessões significativas.

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