As críticas ao bloqueio da internet no Irã ganharam força depois que Yousef Pezeshkian, conselheiro de comunicação da Presidência e filho do presidente Masoud Pezeshkian, defendeu o restabelecimento do acesso para evitar maior insatisfação popular.
Em mensagem divulgada em seu canal no Telegram, Yousef Pezeshkian ressaltou que a tentativa de impedir a divulgação de imagens da repressão não teria êxito e que a manutenção das restrições só agravaria o distanciamento entre o governo e a população.
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O assessor reiterou declarações do presidente Masoud Pezeshkian, que atribuiu a violência nas manifestações a “grupos profissionalmente treinados e ligados a estrangeiros”.
Ao mesmo tempo, Yousef Pezeshkian reconheceu falhas e afirmou que “as forças de segurança e a polícia podem ter cometido erros, e ninguém defenderá irregularidades; precisamos enfrentar essas falhas”.
Contexto dos protestos
O corte da maior parte do acesso à internet começou em 8 de janeiro, depois que vídeos dos protestos circularam nas redes sociais.
A medida afetou negócios e o cotidiano da população, mas as autoridades alegam que ela é fundamental para conter a instabilidade.
O aumento das perdas econômicas e a dificuldade de famílias em obter notícias sobre parentes detidos ou feridos ampliaram as críticas internas.
Leia também: “Como a República Islâmica aterrorizou o Irã — e o mundo”, artigo de Tom Slater publicado na Edição 306 da Revista Oeste
Organizações de direitos humanos alegam que o número de mortos ultrapassa os dados oficiais, o que não é confirmado pelo governo.
Com a intensificação da pressão interna e internacional, cresce a demanda para que a liderança iraniana suspenda o bloqueio e restabeleça a conectividade no país.
ONU recebe relatos de 80 mil mortes no Irã
Relatos recebidos pela ONU revelam que a repressão da ditadura iraniana aos protestos recentes pode ter deixado entre 60 mil e 80 mil manifestantes mortos, segundo a relatora especial para direitos humanos no Irã, Mai Sato.
Em entrevista à ABC News, a especialista disse ter assistido a vídeos que mostram quando agentes do regime iraniano atiram contra civis desarmados.
O grupo liderado por Sato investiga se a ditadura cometeu crimes contra a humanidade e se o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, responde por essas violações.
Até o momento, o regime reconheceu a morte de quase 5 mil civis.
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