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Fórum Latino-Americano reforça luta contra antissemitismo

Uma das resoluções do evento, realizado no Rio de Janeiro, foi a rejeição a tentativas de isolar Israel

Fórum Latino-Americano contra Antissemitismo Rio de Janeiro
Fórum Latino-Americano reuniu autoridades, altos funcionários e acadêmicos | Foto: Reprodução/Conib

O 5° Fórum Latino-Americano de Combate ao Antissemitismo terminou no Rio de Janeiro com a aprovação de uma declaração conjunta que propõe medidas práticas para conter o avanço do ódio contra judeus na região. O documento, divulgado nesta quarta-feira, 15, faz um chamado a governos, empresas e entidades civis para criarem políticas de tolerância zero à discriminação, entre as quais ações legislativas e controle de conteúdos antissemitas nas redes sociais.

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Entre as resoluções, foi reforçada a importância de adotar a Definição de Trabalho de Antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), reconhecida como a mais eficaz para identificar manifestações de intolerância.

O texto também incentiva programas educativos e inter-religiosos, reafirma o compromisso com a memória das vítimas do antissemitismo e manifesta solidariedade ao Estado de Israel diante de ameaças de grupos terroristas e regimes hostis.

A declaração defende ainda a devolução dos corpos de pessoas sequestradas pelo Hamas e a responsabilização do regime iraniano por suas ações e financiamentos ligados ao terrorismo. Outra recomendação foi a rejeição a tentativas de isolar Israel, estimulando a ampliação de relações diplomáticas e de cooperação com países da América Latina.

O evento foi realizado entre11 e 14 de outubro, no Rio de Janeiro. Representantes de 18 países participaram dos debates. Mais de mil autoridades públicas, lideranças comunitárias e acadêmicos participaram de discussões sobre as melhores formas de combater o antissemitismo crescente.

A capital fluminense, primeira cidade brasileira a adotar oficialmente a definição da IHRA, recebeu o encontro, organizado pelo Movimento de Combate ao Antissemitismo (CAM), em parceria com a Confederação Israelita do Brasil (Conib), a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) e o vereador Flávio Valle (PSD), presidente da Frente Parlamentar de Luta contra o Antissemitismo.

Oito países das Américas — Estados Unidos, Canadá, Argentina, Uruguai, Panamá, Colômbia, Guatemala e Costa Rica — já reconheceram oficialmente a definição da IHRA, além de Estados e municípios brasileiros. No total, mais de 40 países já aderiram à definição.

“Este fórum é um apelo à ação, para que nenhuma criança cresça pensando que o preconceito é normal e para que cada cidadão saiba que combater o antissemitismo é defender a democracia”, disse Valle. Para ele, o evento reafirma o compromisso do Rio de Janeiro com a diversidade e os direitos humanos.

O presidente da Fierj, Bruno Feigelson, afirmou que o encontro foi mais do que um alerta: foi um chamado à mobilização. “Queremos mostrar ao mundo que o Brasil está na linha de frente para combater o ódio e defender os valores de uma sociedade verdadeiramente justa e inclusiva”, declarou. “Não podemos ficar calados.”

Entre os convidados internacionais estavam Verónica Abad, ex-vice-presidente do Equador; Franco Fiumara, juiz argentino; Javier García, senador uruguaio e ex-ministro da Defesa; Washington Abdala, ex-presidente da Câmara dos Deputados do Uruguai e embaixador na Organização dos Estados Americanos (OEA); e Pilar Rahola, jornalista catalã e presidente do Conselho Consultivo do CAM para a América Latina.

“O antissemitismo não é apenas uma questão judaica, é uma questão para todos nós”, afirmou Javier García. “Veremos uma mudança em nossa sociedade quando fóruns ou espaços como este começarem a ser organizados por não judeus, porque o antissemitismo atinge o que é mais caro à liberdade, que todos possam expressar suas ideias, suas crenças, sua fé, com liberdade e tolerância.”

Para o diretor de Assuntos Hispânicos do CAM, Shay Salamon, o simbolismo da data foi inevitável. “Embora estejamos vivendo um momento único, com a liberação de reféns, devemos considerar que o antissemitismo não desaparecerá com o fim da guerra”, afirmou. “Será necessário combatê-lo com educação, empatia e ações conjuntas.”

Para Salamon, o momento requer união.

“Em meio ao preocupante aumento da retórica e da violência antissemitas ao redor do mundo, é mais importante do que nunca que os aliados do povo judeu e do Estado de Israel se unam em uma demonstração de solidariedade”, afirmou.

“A mensagem desta cúpula é clara — o ódio e a discriminação não têm lugar aqui na América Latina, e os judeus da região não estão sozinhos.”

Fórum contra o antissemitismo: memórias de 7 de outubro

O fórum coincidiu com a libertação dos 20 reféns israelenses vivos em Gaza, dois anos depois do ataque terrorista de 7 de outubro, o que deu um tom de emoção às discussões.

Leia mais: “7 de outubro: o mundo não suportou ver Israel como vítima”

Durante os debates, o diretor-executivo da Conib, Sergio Napchan, lembrou que “o Brasil historicamente sempre foi um dos países com o menor índice de antissemitismo do mundo, com exceção do período da ditadura de Getúlio Vargas”, quando parte do regime demonstrava simpatia por movimentos totalitários e restringiu a imigração judaica.

Napchan observou que, depois do ataque do Hamas e da reação de Israel, o discurso de ódio se intensificou em escala global, exigindo vigilância redobrada.

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