Quando achamos que já vimos de tudo, mais coisas são expostas nas praças públicas. Afinal, passamos pelo tempo onde tudo será revelado, entre essas, muitas coisas que apenas confirmarão aquilo que já sabíamos, ou o que já falamos, quando não denunciamos. No mais recente, um pouquinho das fraudes carbonadas, aquelas que envolvem a maluquice da financeirização do carbono pelo mundo pelo esquema viciado do cap and trade.
Geralmente é relatado como o “mercado da fumaça”, embora CO2 não seja visível. O cunho é pejorativo para que se possa fazer uma associação direta com chaminés de fábricas ou escapamento de automóveis e promovê-lo falsamente como se fosse um poluente. Isto permite criar um imaginário poderoso com ação psicológica, imprimindo culpa na sociedade daquilo que não recai sobre ela.
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Estamos falando do mercado dos famigerados créditos de carbono (CCs). Ele foi instituído pelo Protocolo de Kyoto nos idos anos de 1990 e começou a operar pelo mundo, especialmente aportados na falida e extinta CCX, a Bolsa Climática de Chicago, cujo um dos sócios fundadores não era nada mais, nada menos, que o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore. Aliás, Gore estava bastante nervosinho na última reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos, versão 2026, proferindo até palavrões, já que cada vez mais seus esquemas financeiros, apoiados na fraude climática, estão se diluindo.
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O caso agora que foi ventilado pela mídia nacional e veio à tona envolve o Brasil, onde supostamente empresas envolvidas com o Banco Master teriam usado terras do governo federal para fabricarem bilhões de reais em créditos de carbono, apropriando-se indevidamente desses valores. As cifras podem chegar a mais de R$ 45 bilhões e são investigados pela Polícia Federal por meio da Operação Carbono Oculto.
A história é análoga a um sujeito saber que a casa de seu vizinho está vazia porque ele se mudou para a Ilha Christmas (ou Ilha do Natal), na orla externa dos territórios australianos. Para ajudar, ele diz que não voltará por anos e deixou a chave para que o amigo possa “dar uma olhadinha” na propriedade. Ao invés de apenas olhar, o amigo acaba alugando a casa, embolsando a renda e aplicando o dinheiro em bons fundos.
Fraude envolve terras amazônicas
A “casa” em questão envolveria terras na Amazônia, com uma área acima de 140 milhões de hectares. Essas terras estariam destinadas desde os anos de 1980 à reforma agrária, mas ficaram congeladas por questões ambientais-climáticas, as quais evoluíram com o passar do tempo de forma que ficaram imobilizadas. Assim, o “sujeito” aqui converteu essa imensa área pública em depósito de carbono, oferecendo esses títulos no mercado como se fosse sua área privada. O dinheiro arrecadado serviu para lastrear outros fundos, segundo a investigação que já traçou o percurso da trama desde o ano de 2019, supostamente a data de origem do esquema.
Curiosamente, isso não impediu, segundo a investigação, que empresas de renome levantassem seus inventários para precificarem os “estoques de carbono” ali disponíveis. Até mesmo uma universidade estadual de renome aplicou metodologias não tão ortodoxas, conforme os padrões de negociatas deste tipo. Todos os procedimentos permitiram, inclusive, a atualização dos valores com o passar do tempo. A unidade de CC foi avaliada inicialmente em cerca de R$ 129, subindo posteriormente para quase R$150. No final do de 2024 já alcançou R$ 197. Se a estimativa de estoque de carbono girava ao redor de 160 milhões de toneladas, sendo bastante conservador nos números, podemos imaginar um montante de R$ 31,5 bilhões de títulos vendidos, que, em vez de serem recebidos pela União, foram parar em mãos alheias.
O mercado dos créditos de carbono
Os CCs não passam de certificados em forma de títulos que são emitidos por entidades que gerenciam programas específicos e reconhecidos pelo próprio mercado de capitais. Eles, em teoria, estariam ligados a um “estoque de carbono” devidamente comprovado que permita emitir o papel para a venda. Como um mercado qualquer, isso não garante que haverá comprador, nem preço estipulado e, portanto, não automatiza um negócio.
O interessado em comprar tais créditos “ganha uma permissão” de emitir CO2 em sua empresa, indústria ou o que seja, enquanto força o emissor (e seu país) a manter o estoque intocado. Além da estupidez, pois o emissor desses títulos vende banana para comprar celular, ou seja, o valor do CC é muito baixo em relação aos produtos industrializados, o emissor permanece refém do subdesenvolvimento porque o país deixou de evoluir tecnicamente, limitando-se ao ciclo mais básico do comércio, enquanto consome produtos de alto valor agregado. No caso do Brasil, nem isso. É a velha história de vender minério de ferro para importar um produto de alta tecnologia como trilhos de trem.
Enquanto tudo isto ocorre, os atravessadores, ou seja, os que vendem tais títulos enriquecem absurdamente com esse mercado devido à escala dos valores (interessante que para esse ponto de vista, a Terra deixa de ser pequena, não?). Contudo, admitindo que a hipótese de que o CO2 controlasse o clima fosse verdadeira, o balanço final de todo esse malabarismo global, no final, será zero quando não positivo, pois a emissão que não houve em um lugar, aconteceu em outro. A diferença é que um produziu tecnologia, produtos reais e riqueza, enquanto o outro ficou olhando passarinho nas árvores. Até organizações não governamentais já denunciaram isto em meados dos anos 2000.
Fraude dentro da fraude
Assim, estamos observando a fraude dentro da fraude. A fraude climática servindo de base para fraudes financeiras. Inimaginável? Claro que não! Essa é apenas uma em que pudemos observar alguns dos envolvidos. Certamente há muito mais delas espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, como já existiram antes, enquanto operava a CCX do rabugento do Al Gore. Estima-se que trilhões de euros desapareceram dos mercados nessas vendas e foram poucos os negociadores presos até então.
Não obstante em usar terras públicas como se fossem privadas para a emissão de títulos, existem diversas outras maneiras desmascaradas para arrecadar dinheiro com CC e “desenvolvimento sustentável” ao mesmo tempo, pegando outro dos elementos, como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.
Um tipo de procedimento misto desses ocorreu nas ilhas de países insulares entre os oceanos Pacífico e Índico, como é o caso da Indonésia. Florestas tropicais foram derrubadas para vender madeiras. Depois, plantaram-se árvores de palmas como “projetos de reflorestamento”, o que permitiu depois a extração de seu óleo para fins da indústria global de alimentos. Ganharam aqui dinheiro quatro vezes: venda das madeiras de lei, implantação do projeto de reflorestamento, CC pela “floresta em pé” e um negócio “sustentável” altamente rentável de óleo de palma que será permanente enquanto produzirem (e consumirem) os deliciosos cremes de “chocolate com avelã” industrial, cuja avelã está no céu.
Condomínios florestais
Outro esquema global envolve os condomínios florestais. Estes aqui, embora sejam legais, aproveitam da imoralidade de leis que decretam que certas madeiras, por serem nativas, não podem ser usadas economicamente, ou cujas restrições governamentais tornam o negócio inviável. Assim, plantam-se árvores análogas, porém exóticas que podem ser manejadas a fim de gerarem lucro. Como resultado, um país (A) planta uma árvore exótica (X), naturalmente pertencente ao país (B), onde (X) não pode ser cortada. Ao mesmo tempo, o país (B) planta a árvore (Y), exótica para eles e que não pode ser cortada no país (A), local naturalmente encontrada. Quando (A) precisa de (Y), o país (B) lhe exporta. Quando (B) precisa de (X), o país (A) lhe exporta. No meio disso estão os comerciantes.
Esse é o jogo global onde os maiores financistas planetários cerceiam e lucram com a panaceia ambiental-climática. Assim, pergunto: por que será que tenho a impressão de que essa investigação não vai dar em nada, como tudo aqui no Brasil? Afinal, as cifras atingem bilhões e com esses valores, tudo é possível, não?
Leia também: “O agro é cada vez mais biológico”, artigo de Evaristo de Miranda publicada na Edição 308 da Revista Oeste






































É um esquema global: análise dos créditos de carbono na Europa revelou que 94% tinham problemas, da podridão total até alguma pequena irregularidade. https://en.wikipedia.org/wiki/Verified_Carbon_Standard. Se lá é assim, imagina na terra da impunidade. Felicio conclui exatamente aí. Sábio!
Verdades que demorarão para serem realidade
Parabéns!